Quem está usando e abusando dos sites de streaming

Compartilhando música

Quem acompanha o blog lembra que eu havia comentando sobre uma teoria de que estava entrando no mercado uma geração que preferia ouvir música via streaming a baixar música para o computador. Até brinquei no título do texto, afirmando que “baixar música estava virando coisa de gente velha“.

Saiu no Guardian Music mais uma pesquisa (em pdf) que revela algo nessa linha, feita entre jovens ingleses. Enquanto o número dos que usam sites de streaming para ouvir música cresce, os que trocam arquivos de MP3 diminui (uma queda de 16% entre janeiro de 2009 e dezembro de 2007).

Parece que, enquanto parte da indústria e da imprensa especializada fica discutindo se o download de música é ilegal ou legal, o pessoal mais jovem, entre 14 e 18 anos, está em outra, usando e abusando de forma crescente dos sites de streaming.

Os preferidos são o Spotify e o YouTube, sendo que a Microsoft e a Virgin também devem lançar serviços parecidos de streaming de música em breve.

Porém, isso não quer dizer que as pessoas estejam pagando por música, já que, em sua maioria, esses sites de streaming têm versões gratuitas. Muito do apelo deles está na facilidade, é só apertar o botão de play e sair ouvindo uma música sendo que não existe o risco de pegar vírus ou ficar horas procurando por uma música para baixar na rede. Para a indústria, interessa o streaming, pois pode ter mais controle sobre a forma como o seu conteúdo é distribuído.

Vale mencionar que essa pesquisa foi feita na Inglaterra, onde, em geral, as conexões de banda larga têm uma qualidade superior à brasileira, e que nem tudo são flores, mesmo sites de streaming como Spotify e YouTube vêm enfrentando problemas para licenciar conteúdo junto a algumas gravadoras.

Veja também:
Geração que quer clicar no botão de play e não de download

Crédito da foto: Jason Staten

Publicado por Tiago Dória, em 13 de julho de 2009 (Segunda-feira).
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Notícias que os computadores podem entender melhor

Computador

A agência de notícias Associated Press passou a trabalhar com o conceito de crowdsourcing, mas o que realmente chamou a atenção, neste final de semana, foi a proposta que ela fez da utilização por todos os sites de um padrão comum de microformats feito especialmente para notícias.

O papo é meio técnico, mas seria como se uma matéria, um artigo, trafegasse pela rede com uma etiqueta. Etiqueta que só pudesse ser lida por robôs indexadores, por computadores.

Nessa etiqueta estariam informações sobre quem fez a reportagem, a empresa responsável pela publicação, a data e onde a matéria foi escrita. Seria metainformação. Informação sobre a informação (no caso de uma matéria).

Isso facilitaria bastante o trabalho dos buscadores e agregadores de notícias e lá na ponta final a vida dos leitores que encontrariam uma informação de forma mais fácil na rede.

A idéia é boa, é um caminho inevitável o uso desses padrões para facilitar a indexação e a busca de assuntos. O problema é que essa proposta surgiu da Associated Press, aquela agência que até pouco tempo atrás estava querendo processar os buscadores de notícias.

O blog Techdirt, especializado em direitos autorais, fuçou um pouco e destacou que a intenção da AP não é facilitar a indexação e a circulação de informações, mas, na verdade, inserir informações que indiquem se uma matéria pode ser indexada ou não, se um conteúdo pode ser utilizado ou não.

Tenho certeza – se a Google ou a Reuters, que têm um posicionamento bem mais amigável à cultura digital, tivessem feito essa proposta, ela seria bem mais aceita.

Crédito da foto: Forever Digital

Veja também:
Agregadores são grandes redicionadores de tráfego

Publicado por Tiago Dória, em .
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Barreira menor entre autor e leitor no Tumblr

tumblrsub

Existem ferramentas de publicação de conteúdo que evoluem, outras que param no tempo. E mais algumas que somem do mercado sem ninguém notar.

O Tumblr faz parte da primeira categoria. Lançou um recurso chamado Submissions, que permite que os leitores de um blog feito no tumblr possam também publicar conteúdos.

Esse recurso promete ser bem útil. Normalmente usuários do Tumblr têm por caraterística fazer blogs monotemáticos, bem focados – um apenas sobre fotos de pessoas que dormem no metrô ou outro sobre pessoas que se esquecem de sorrir nas fotos.

Na maioria das vezes, pedem para o leitor também enviar fotos. A barreira entre autor e leitor do blog é bem pequena nestes casos.

Veja também:
Meus testes com o site Hunch

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: ferramentas. Tags: , , ,

Frase da semana

Eric e Gates

“Sem comentários”

Bill Gates ao ser questionado a respeito do anúncio do lançamento do sistema operacional da Google, que será um possível rival ao Windows, sistema que ele ajudou a desenvolver e é o carro-chefe da Microsoft, empresa da qual Gates é co-fundador.

Nesta semana, Eric Schmidt, diretor geral da Google, e Bill Gates se encontraram em um almoço num seminário sobre mídia. O encontro foi considerado histórico, mas, segundo garante o Wall Street Journal, eles não conversaram sobre nada relacionado ao sistema operacional.

Veja também:
Steve Jobs e Bill Gates: amigos para sempre

Crédito da foto: Gawker Media

Publicado por Tiago Dória, em 11 de julho de 2009 (sábado).
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Você pagaria 10 reais por mês para acessar um site?

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US$ 5 ou, mais ou menos, 10 reais, é o que NYTimes pretende cobrar por mês para acessar todo o conteúdo e recursos de seu site.  A conversa sobre voltar a cobrar por acesso à versão online de um dos jornais mais relevantes do mundo vai e volta, os boatos são constantes, mas desta vez a coisa parece ser mais séria.

Um executivo do jornal afirmou que a decisão sobre cobrar ou não deve sair no próximo mês e recentemente o NYTimes fez uma pesquisa com os assinantes sobre a idéia da cobrança. Parece uma discussão distante, mas como toda decisão do NYTimes acaba, de certa forma, se refletindo aqui, no Brasil.

Não será a primeira vez que o jornal cobra por acesso. Até 2005 a versão online era gratuita. Passou a ser paga até 2007, quando o jornal resolveu derrubar o paredão do conteúdo pago em troca de ganhar receita com publicidade apoiada no tráfego vindo de buscas, aplicativos e sites de terceiros. Decisão histórica que, na época, foi devidamente registrada aqui, no blog.

Pelo que percebo desta vez as opiniões estão divididas. Um lado acha que dificilmente alguém pagará por conteúdo por menor que seja a taxa. Ao colocar o conteúdo debaixo de um paredão de conteúdo pago, o NYTimes perderá tráfego vindo de buscas e consequentemente relevância.

Outro lado acha que é inevitável cobrar por parte do conteúdo, afinal de contas a publicidade online não sustenta o negócio, além do mais o NYTimes desta vez teria condições de cobrar, pois oferece mais do que notícias, conteúdo próprio multimídia (infográficos interativos, especiais, newsgames, vídeos bem produzidos, datamining), enfim recursos e narrativas que você não encontra em qualquer lugar.

nytcarsParticularmente, fiquei confuso sobre como será a tecnologia utilizada nessa suposta cobrança. Se for utilizado o modelo do WSJ que permite ler um trecho ou resumo da notícia, mesmo que paga, ainda faz sentido. O conteúdo é indexado do mesmo jeito por terceiros.

Agora se for para fechar o conteúdo mesmo, nem permitir que ele seja indexado por terceiros, então é preocupante por que muito daqueles projetos de APIs, trabalhar o jornal como uma plataforma aberta e o tráfego vindo de terceiros (aplicativos, por exemplo) precisará ser reformulado.

Ainda não está claro como será feita essa cobrança (se acontecer, claro). Ainda é muito cedo para ter uma opinião clara. Além disso, existe um ponto importante. Essa pesquisa que poderá servir para ratificar a decisão de voltar a cobrar por conteúdo foi feita somente com o público da versão impressa do NYTimes, que já é acostumado a pagar pelo jornal. O público do online ainda não foi consultado.

De qualquer forma, esse burburinho todo já reflete os conflitos internos do jornal, comum em toda instituição grande e com bastante idade. Uma turma defende o conteúdo gratuito, outra o modelo híbrido (conteúdo pago e gratuito) para garantir o futuro de um dos jornais mais antigos do mundo e que, indiretamente, a cada dia, é um reflexo de como a forma como consumimos informações mudou.

Crédito das fotos: Niedermeyer e Dom Dada

Veja também:
Parece uma “Apple do jornalismo”

Publicado por Tiago Dória, em 10 de julho de 2009 (sexta-feira).
Categoria: nyt. Tags: , , , , , , ,

Câmeras “espiãs” Flip aparecem na TV

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Logo após serem lançadas no ano passado, as portáteis câmeras Flip passaram a ser utilizadas para a “cobertura móvel” de diversos eventos. Pela sua praticidade e preço, a agência de notícias Reuters foi uma das primeiras a utilizá-la. Em abril, 100 câmeras foram distribuídas aos jornalistas.

A Flip funciona com pilhas AA, dá para carregar no bolso da calça, faz uploads automáticos para o YouTube, 4GB de memória e custa, em média, US$ 129 (mais ou menos 258 reais). Enfim, é quase perfeita para ser utilizada em situações em que é logisticamente impossível uma equipe de TV trabalhar completa, com câmera, repórter, assistente. Ou para pessoas que não podem ter uma equipe maior para gravar vídeos.

Durante o velório de Michael Jackson, nesta terça-feira, por exemplo, elas foram utilizadas por jornalistas de emissoras de TV que estavam dentro do estádio onde aconteceu a cerimônia.

Apesar das restrições quanto à captação de imagens, uma produtora da emissora ABC, que trabalha com a apresentadora Barbara Walters, fez imagens exclusivas com a câmera, que logo depois foram ao ar e republicadas pelo blog TMZ (vídeo abaixo). O repórter brasileiro Rodrigo Bocardi, na Globo News, também utilizou o gadget para mostrar imagens de dentro do estádio.

Crédito da imagem: TMZ

Veja também:
Três programas para fazer transmissão de vídeo ao vivo pelo celular

Publicado por Tiago Dória, em 9 de julho de 2009 (Quinta-feira).
Categoria: gadgets, jornalismo. Tags: , , , , ,

Leitor de RSS para quem nunca ouviu falar de RSS

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Bloglovin é daqueles aplicativos que entra na mesma categoria do Posterous e do Tumblr. São feitos para pessoas que necessariamente não são “heavy users de internet”, menos ainda exímios usuários de RSS. Simplicidade e pouco uso de termos técnicos é o que marca o leitor de RSS.

Logo de início, o Bloglovin não se apresenta como um “leitor de RSS“, mas um “site para seguir os seus sites favoritos e saber quando eles são atualizados”. Para cadastrar os blogs que você quer seguir e receber as atualizações, você não precisa recortar e colar endereços ou saber o que é um “endereço do feed” ou “qual é o RSS do blog”,  basta digitar o nome de seu blog preferido na caixa de busca que o sistema se encarrega do resto.

Na medida em que é voltado para um público mais leigo, em nenhum momento, no processo de cadastro dos blogs, termos mais técnicos como feed ou RSS são citados. Fora isso, as atualizações são mostradas numa interface que lembra o site de uma revista (imagem acima).

O site foi criado por uma startup da Suécia. Pode pecar por ter poucos recursos (se comparado ao Google Reader) e não disponibilizar uma versão móvel ou integrada ao email. Mas como é voltado para um público menos “heavy user” talvez isso não seja um empecilho.

Bloglovin faz parte de uma série recente de ferramentas que estão saindo (o Posterous faz parte), apoiadas numa idéia de mais simplicidade.

Veja também:
Simplicidade é a arma da Google contra a Microsoft

Publicado por Tiago Dória, em 8 de julho de 2009 (Quarta-feira).
Categoria: ferramentas. Tags: , , , , ,

Google Chrome OS e os consumidores

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“Para os consumidores, outro sistema operacional é uma coisa boa pelo motivo de incentivar a Apple e a Microsoft a continuar inovando. Dado que o Google Chrome OS é em código aberto, deve ser uma ótima notícia para o Linux por validar a viabilidade de um sistema operacional com o código-fonte em aberto”.

Mark Evans comenta o anúncio do lançamento de um sistema operacional da Google. O lançamento, previsto para 2010, está sendo visto como um desafio para a Microsoft.

No entanto, num primeiro momento, o sistema será voltado para o emergente mercado de computadores menores e de baixo custo, como os netbooks.

Veja também:
Você sofre de “Search Overload”?

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: google. Tags: , , , , , , ,

RIP Printed Blog

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Em fevereiro, no post O gueto do The Printed Blog comentei:

Vejo o projeto de Karp mais como um experimento acadêmico (vamos ver como é essa transposição dos blogs para o impresso) e não um produto em si. Se esse projeto, de forma rápida, perder esse caráter e se tornar realmente um produto com resultados e não apenas “espuma”, será uma surpresa

O projeto de querer criar um “jornal do futuro” com posts de blogs não deu certo. No final, tinha apresentado melhorias, principalmente na diagramação e escolha de fotos, porém é mais um projeto deste tipo que não dá certo. Exemplo de como a transposição grosseira entre mídias não funciona.

Joshua Karp, idealizador do Printed Blog, culpa a crise pelo fim do jornal que mal começou.

Publicado por Tiago Dória, em 7 de julho de 2009 (Terça-feira).
Categoria: blogging, jornalismo. Tags: