Guardian também trabalha com crowdsourcing em documentos

Guardian

Nos comentários, a Fernanda Santos lembrou bem. Parecido ao DocumentCloud, que comentei no post abaixo, o Guardian vem trabalhando num projeto que se apóia no conceito de crowdsourcing. Da mesma forma, é voltado à gestão de dados e informação.

São mais de 700 mil documentos relacionados aos gastos do parlamento britânico publicados em um hotsite do jornal. Os leitores são convidados a ajudar na investigação, a auditar e a fazer anotações nesses documentos, caso encontre algo interessante ou que aponte ilegalidade nos gastos.

É bem válido o Guardian coletar, arquivar esses documentos, e convidar os leitores a ajudar na análise desse material. Para um projeto desses dar certo, depende muito do nível dos leitores, mas o Guardian tem um nível de qualidade na audiência que pode ajudar nesse trabalho.

Porém, acredito que falta adicionar “inteligência” a isso. Cruzar esses dados para descobrir detalhes que estavam ocultos enquantos essas informações estavam dispersas e não relacionadas. Ou seja, analisar eletronicamente esses documentos junto à análise humana.

É nesse modo híbrido de analisar os documentos que pode estar o diferencial do projeto.

Veja também:
Como hackear um portal de notícias?

Publicado por Tiago Dória, em 18 de junho de 2009 (Quinta-feira).
Categoria: jornalismo

Site para rastrear os erros da imprensa

Foram divulgados os vencedores do Knight News Challenge 2009, da Fundação Knight, prêmio que elege os melhores projetos de comunicação com foco na área de inovação tecnológica. Os ganhadores recebem financiamento para tocar os seus projetos em frente.

Em relação aos anos anteriores, percebe-se que, nesta edição, os nove projetos selecionados são mais voltados à gestão de dados e informações do que à transparência no trabalho dos jornalistas.

Em primeiro, ficou um que tem Aron Pilhofer, gestor de tecnologias interativas do NYTimes, entre seus idealizadores. A idéia do DocumentCloud é criar um “banco de dados” onde diversos documentos e informações obtidas pela imprensa em investigações possam ser cruzadas.

A idéia é que jornalistas de diversos veículos possam alimentar e acessar essas informações. É o conceito de crowdsourcing misturado ao que o NYTimes vem pesquisando há algum tempo, de trabalhar com grandes quantidades de informação jornalística e técnicas de data mining.

Em 2º lugar e que chamou a minha atenção, ficou um site que promete rastrear os erros da imprensa. No MediaBugs, os leitores poderão registrar erros que perceberam em uma reportagem. Os jornalistas poderão responder aos leitores por lá.

O MediaBugs vai funcionar como uma plataforma entre o leitor e o jornalista, sendo que a comunicação entre os dois será pública. O site também mostrará um ranking dos veículos que mais erram. O projeto não está no ar, mas pelo que entendi seria algo próximo do Get Satisfaction. Ou seja, uma espécie de site de “relacionamento com clientes” na área de jornalismo.

O Councilpedia ficou em 3º lugar e é um projeto que usa wikis e a participação dos leitores para a cobertura política (doações a campanhas e políticos).

Outro prêmio importante, ligado à inovação e comunicação, e que, em breve, deve divulgar os resultados é o Knight-Batten Awards for Innovations, que, em 2005, revelou o Chicago Crime, um site que mapeia os crimes da região de Chicago e que serviu de inspiração para projetos semelhantes aqui, no Brasil, e lá fora.

Crédito da foto: Tiago S Costa

Publicado por Tiago Dória, em 17 de junho de 2009 (Quarta-feira).
Categoria: jornalismo. Tags: , , ,

A civilização em vídeo

O vídeo acima foi feito pelo artista italiano Marco Brambilla para um cliente, o Standard Hotel, em Nova York. É cheio de detalhes.

Se você reparar, existem alusões a algumas tecnologias e ícones da cultura pop.

Publicado por Tiago Dória, em .
Categoria: videos. Tags: , ,

Um bom blog é um bom começo no Irã

ira01

“Será necessário mais do que um site para mudar esse país.
Mas um bom blog é um bom começo”

Antes e durante o ano de 2005, período das eleições no país, esse foi o mantra de muitos autores de blogs iranianos. Na época, a pouca imprensa que existia foi abafada. Para furar o bloqueio, manifestantes, observadores internacionais e cidadãos do Irã se voltaram para os blogs.

Era a ferramenta que simbolizava a luta pela liberdade de expressão. Alguns foram tirados do ar, outros conseguiram manter-se online. Com a importância que essas ferramentas adquiriram, o presidente eleito Mahmoud Ahmadinejad passou a assinar um blog, idéia que depois foi abandonada.

No massacre da praça da Paz Celestial, na China, em 1989, estudantes utilizaram um aparelho de fax para burlar o bloqueio à imprensa e passar por cima da imprensa chapa branca. Publicaram textos e fotos que eram enviados direto para universidades e hospitais do país. O fax era o Twitter da época.

Desta vez o que menos importa é a ferramenta que os manifestantes iranianos estão utilizando (YouTube? Twitter? Friendfeed?), o fato é que agora o povo está em rede nas ruas e na internet. Isso é o que se repete e está mais evidente (se isso vai causar alguma mudança profunda e prática é outra história).

Em 2005, os blogs iranianos concentraram as atenções. Conquistaram respeito internacional, mas censura interna. Hoje o seu uso não está sob holofotes no Irã devido a anos de bloqueio que, a meu ver, os deixaram engessados. Um de seus principais autores e ícones, por exemplo, está preso desde o ano passado e o seu blog fora do ar.

No final das contas, o uso do Twitter roubou a cena, o que ajuda a alimentar o receio de que quanto mais visibilidade uma ferramenta adquire, menos ela poderá ser utilizada no futuro como mecanismo de liberdade de expressão. Portanto, não será nenhuma surpresa se o Twitter tiver um futuro parecido ao de alguns blogs, ou seja, o bloqueio e o cerceamento permanente no Irã.

Publicado por Tiago Dória, em 16 de junho de 2009 (Terça-feira).
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Intrigas de Estado é um filme tributo

Online versus impresso

A primeira coisa que chamou a minha atenção ao assistir a Intrigas de Estado, que estreou neste final de semana no Brasil, foi a ambientação, roupas, cenários e trejeitos, resultado de uma consultoria minuciosa prestada por profissionais da área de jornalismo.

Entre eles, o jornalista R.B. Brenner, editor de cidades do Washington Post, jornal que serve de inspiração ao fictício Washington Globe, onde se ambienta boa parte do filme. Brenner deu várias dicas aos produtores e ao diretor do filme (Kevin Macdonald), sobre como jornalistas se vestem, quais são os jargões utilizados e as posturas na área.

Como resultado dessa consultoria, o jornalista do impresso, da versão impressa do Washington Globe (Russell Crowe), veterano, é retratado como uma pessoa com ar de cansaço constante, barrigudo, cabeludo, que gosta de beber e trabalha num computador velho em uma mesa repleta de recortes de jornais antigos. Mal sabe quem escreve, trabalha ou o que é publicado na versão online, no site do jornal. Aliás, trata com um certo desdém a versão online e os blogs.

Rachel Adams

Por sua vez, a jornalista/blogueira (Rachel McAdams) é quase um contraponto. Tem um visual mais suave, se veste bem, trabalha num computador novo, numa mesa arrumada, sabe o que acontece em todo o jornal, é mais acostumada a fazer pesquisas apoiadas no computador, porém peca pela falta de experiência.

Na realidade, os dois trabalham de formas diferentes, enquanto o personagem de Crowe espera pegar uma informação e trabalhar mais em cima dela, cultiva fontes, a personagem de McAdams já quer publicar toda a informação que apura, tem pressa, vê o jornal mais como um processo do que um produto com começo, meio e fim.

Por isso, eu não vejo a relação deles tanto como um conflito “impresso versus online”, mas entre escolas diferentes do jornalismo. O filme é mais sobre “gerações do jornalismo” do que sobre “jornal versus online” ou “jornalistas versus blogueiros”. Tanto que, na maioria dos momentos, a relação entre os dois personagens é mais de mestre e aprendiz.

O que percebe-se é que da metade do filme para frente, o que une os dois é a mesma coisa, a busca por uma boa história e o que seja mais próximo da verdade.  Talvez numa mensagem clara de que o básico do jornalismo continua, de geração a geração, não importa o meio, as tecnologias e a época.

Crowe

O filme dá uma lição boa e outra ruim de gestão no jornalismo. A boa é que mostra que as equipes do impresso e da versão online devem trabalhar juntas. Sempre. Logisticamente faz sentido.

A ruim é que a editora (Helen Mirren) ignora o online na hora de publicar a matéria sobre o caso. Enquanto que um editor mais atento teria dado uma edição multimídia ao caso (o filme se passa no mercado dos EUA e o Washington Globe seria o equivalente ao Washington Post).

Com tantas nuances, materiais, documentos e personagens envolvidos teria optado pelo uso de infográficos interativos, vídeos, linhas do tempo para ajudar a contextualizar e tornar mais inteligível o caso ao leitor. Enfim, teria publicado no online a história.

De curiosidade – as alusões ao caso Watergate são constantes, o blog Gawker (ou um alusivo) é mostrado de relance em um dado momento e os celulares N95, aqueles “voltados para jornalistas”, tornam-se figurantes de várias cenas em que a blogueira aparece.

Ademais, existe uma brincadeira sutil no fato da blogueira nunca ter canetas, já que ela sempre trabalha na frente do computador, sempre faz as suas anotações no computador, em seu laptop.

Hellen Mirren

Apesar do diretor explorar esses aspectos “impresso versus online” e as diferenças entre “gerações do jornalismo”, acredito que a questão principal levantada pelo filme é bem mais profunda.

É sobre o conflito de interesses no jornalismo, sobre um jornalista cobrir um assunto em que o seu amigo está diretamente envolvido, além dos eternos relacionamentos, todos tênues e tensos, entre políticos e jornais, entre polícia e jornalistas, entre fontes e jornalistas. Onde um acaba usando o outro.

Questão que, diga-se de passagem, não é exclusiva dos que trabalham no meio impresso, também existe nos meios digitais e entre autores de blogs.

Não acho que Intrigas de Estado seja um conto de fadas (apesar de mostrar um tipo cada vez mais raro no mercado, o “jornalista herói”), talvez seja um dos que melhor retratam o momento atual dos jornais impressos nos EUA.

Um tributo ao meio impresso, o que fica bem evidente na sequência final, quando todo o processo de impressão de um jornal, nas máquinas, é exibido. Cenas que mesmo hoje já prometem ser datadas aos olhos do público.

Publicado por Tiago Dória, em 15 de junho de 2009 (Segunda-feira).
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Frase da semana

TV

“Essa transição para a TV Digital está mais parecida com o bug do milênio

Em alusão ao “bug do milênio“, catástrofe anunciada, mas que não aconteceu, Jonathan Adelstein, representante da Federal Communications Commission (FCC), organização que regula as transmissões de rádio e TV nos EUA, fala em coletiva de imprensa, sobre o fim do prazo dado às emissoras de TV para que deixassem de utilizar o sinal analógico e passassem a usar o digital.

Acontecimento histórico, agora tanto TV aberta quanto por assinatura são exclusivamente digitais nos EUA, o que a imprensa vem chamando de “apagão analógico“. Aqui, no Brasil, o prazo final para as transmissões em sinal analógico está previsto somente para 2016.

Crédito da foto: 7 how 7

Publicado por Tiago Dória, em 13 de junho de 2009 (sábado).
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Site de notícias personalizadas a partir de seu nome

Daily Perfect

Existem sites que oferecem notícias personalizadas de acordo com a sua profissão, mais recentemente com a popularização da tecnologia GPS, informações de acordo com a sua localização geográfica. Contudo, notícias personalizadas com base no nome de uma pessoa, eu não tinha visto.

No Daily Perfect, basta digitar o seu nome ou apelido que o site retornará várias recomendações personalizadas de notícias. Na realidade, a partir de seu nome, o Daily Perfect rastreia outros sites onde você utiliza esse mesmo nome em seu perfil e agrega informações sobre as suas preferências.

Com base nesses dados, oferece as notícias em inglês. É algo experimental antes de tudo.

Para mim, o site mais acertou do que errou nas suas recomendações.

Veja também:
Sistema de busca para quem está sem idéias

Publicado por Tiago Dória, em 12 de junho de 2009 (sexta-feira).
Categoria: ferramentas, jornalismo. Tags: , , , ,

Last.fm cumpre o ditado

Last fm party

Depois que é comprado por terceiros, os fundadores de um site não permanecem mais do que 3 anos na direção. Esse ditado parece que vai ficar um tempo na cabeça dos 3 fundadores da Last.fm, rede social de música que ao lado do Flickr foi considerada um dos expoentes da chamada Web 2.0.

Os três saem no final do ano do site que fundaram em 2002 e que depois, em 2007, foi comprado pela rede de TV e rádio CBS, uma das mais antigas do mundo. Vão se concentrar em “novos projetos”, segundo alegaram ao site Media Guardian.

Apesar do aumento de receita com publicidade, nos últimos tempos a Last.fm vinha passando por algumas turbulências, a possibilidade de ter que solicitar a todos os usuários para pagar para ouvir as músicas, o que não agradou a maioria, a concorrência com o Spotify e a integração da rede social com os programas de rádio e TV da CBS que nunca saiu muito bem do papel, além da acusação de compartilhar sem autorização dados dos usuários com a RIAA, organização que defende os direitos das gravadoras.

Não é o fim da Last.fm, claro. Mas de uma fase da rede social. É preciso ter em mente que esse mercado de sites/aplicativos para consumir música online é bem volátil. Uma hora quem tem os holofotes apontados para si é o Napster, em outro momento é o Kazaa, depois a Last.fm, o Blip.fm, o Muxtape, o Deezer e agora o Spotify. Pelo visto, a MySpace é a que se mantém mais firme.

Outro dia, os fundadores da Last.fm montaram uma galeria de imagens com várias fases da rede social. Abaixo, a primeira interface da Last.fm.

Last FM em 2002

Crédito da foto: Peter Gerdes

Publicado por Tiago Dória, em 10 de junho de 2009 (Quarta-feira).
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Eu não matei os jornais, ok?

Webby Awards no YouTube

No começo da semana, na segunda-feira, aconteceu lá nos EUA a cerimônia do Webby Awards, considerado o “oscar da internet”. Cada vez mais, a festa está parecida com a do cinema americano. Tapete vermelho, celebridades, discursos, entrevistas ao vivo.

Neste ano, a produção da premiação resolveu colocar a cerimônia completa na web para quem quiser ver os seus ídolos. Além disso, a cerimônia vem adotando uma regra de que os discursos dos premiados devem ter apenas 5 palavras. Devem ser minimalistas, precisos.

O cofundador do Twitter, Biz Stone, por exemplo, ao receber o prêmio de “melhor acontecimento de 2008″, disse: “A criatividade é um recurso renovável”.

O representante do blog de fotos The Big Picture, do jornal Boston Globe, que adota uma outra narrativa, de mostrar um acontecimento apenas por meio de fotos, foi mais direto: “Não é o jornalismo que está morrendo”.

Por outro lado, Arianna Huffington, fundadora do Huffington Post, o agregador de notícias e opinião que está roubando a cena na área de mídia, investindo em jornalismo investigativo e recebendo mais atenção e anunciantes que muito jornal, foi mais irônica.

Ao receber o prêmio soltou: “Eu não matei os jornais. Ok?”.

Quem quiser conferir todos os discursos de 5 palavras, eles estão reunidos aqui. É interessante notar que, quando têm as suas falas limitadas, as pessoas, em geral, são bem mais precisas e claras nas idéias. No vídeo abaixo, Arianna em seu discurso de 5 palavras.

Publicado por Tiago Dória, em .
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