A queda do poder da home

Quem acompanha o meu twitter deve ter visto que, na terça-feira, postei sobre a notícia de que o NYTimes havia criado o cargo de “editora de mídias sociais“.
Num primeiro momento, Jennifer Preston, ex-editora da área regional do NYTimes, terá um papel mais educativo, ensinará aos jornalistas e encontrará melhores formas de utilizar blogs, plataformas de redes sociais e microblogs para o jornalismo praticado pelo jornal.
Primeiro aspecto evidente da criação desse cargo é que, pela primeira vez, o jornal está tratando microblogs e redes sociais como ferramentas oficiais de trabalho. Assim como o telefone e o email já são há algum tempo.
O segundo ponto, mais importante, é que o NYTimes está confirmando algo que já era dito nos bastidores e em listas de discussão. Há muito tempo redes sociais e microblogs estão se tornando importantes fontes de tráfego e formas de contato com o conteúdo do jornal, ao contrário da home, página principal do site, que vem sendo obrigada a ter que dividir a sua importância com perfis do NYTimes no Twitter, por exemplo.
O jornal, de certa forma, vai contra o hábito nos sites de notícias e portais de supervalorizar a home e subvalorizar outros canais de contato e apresentação de conteúdo, como buscas orgânicas, twitter, links de blogs, aplicativos, perfis em redes sociais e links de outros sites de jornais.

A home de um site já não é a única, mas uma das fontes de tráfego e contato do leitor com o conteúdo. Cada vez mais ela vem perdendo o poder para outros canais. Por isso, a importância de um editor (gestor) nessa área de onde vem, de forma crescente, tráfego e contato com o leitor.
Neste sentido, para mim, uma editora de “mídias sociais” terá tanto poder e importância quanto um editor da home do NYTimes.
Não é sem motivos que o jornal deu relevância ao cargo e escolheu para a vaga uma pessoa com mais tempo de empresa e gerência, o que gerou uma certa reclamação entre os blogs de mídia. Em geral, esperava-se que o NYTimes contrataria algum “guru das mídias sociais”.
Porém, na área de jornalismo, de nada adianta contratar uma pessoa que saiba mexer nessas ferramentas e entenda a dinâmica, mas não tenha nenhuma experiência com reportagem, apuração ou redação. É o mesmo que contratar um marceneiro que sabe mexer muito com pregos e martelo, mas nunca construiu um móvel, um armário.
O NYTimes não é o primeiro a criar este tipo de cargo, a nomeação tem uma boa dose de marketing, mas simbolicamente essa atitude vai de encontro às recentes decisões da Bloomberg e do Wall Street Journal de querer regularizar o uso de redes sociais e microblogs por parte dos jornalistas a partir de decisões tomadas de cima para baixo.
Veja também:
Quando a vida profissional começa num blog coletivo
Postado em Quarta-feira, 27 maio, 2009 por Tiago Doria
Arquivado em: jornalismo, nyt
ótimo post
É legal assistir e participar das transformações no modo de organização e produção que a dinâmica da internet esta criando. Adoro este momento de mudancas rapidas que estamos vivendo.
O profissional para este cargo ainda não existe (quem tem experiência em gerência em jornalismo ainda nao domina as midias sociais e vice-versa)
e sera que quando alguem se especializar realmente para tal tarefa, ele ainda vai ser relevante?
E’ veraddde nunca mais acessei a capa de portais, chego lá via twitter e rss. abs!
Olá Tiago, acompanho diariamente seu blog e vejo que o NYT é assunto recorrente em como utilizar bem blogs, redes sociais, twitter e etc.
Pergunto: No Brasil, existe alguma iniciativa interessante de empresas nacioanis que vc possa compartilhar com seus leitores?
@Ricardo Colasanto
Aqui, no Brasil, não existe nenhuma empresa num ritmo igual ao do NYTimes. Mas temos iniciativas boas no Brasil, no ano passado, escrevi um post com algumas delas http://www.tiagodoria.ig.com.br/2008/12/25/5-projetos-de-novas-midias-que-se-destacaram-no-brasil-em-2008. Mas são iniciativas ainda isoladas.
abs
@Flávio
Obrigado, Flávio. Realmente ainda não é fácil encontrar um profissional com um perfil assim. Mas acho que naturalmente será normal encontrá-lo daqui a algum tempo.
Para essa geração mais nova, mexer com blogs, microblogs e twitter já é algo natural, ninguém precisa ensinar.
abs
Tiago,
Essa noticia deixa claro um movimento que está ocorrendo já algum tempo: A perda de relevância de portais centralizados.
Escrevi à algum tempo no Tecnozilla que os portais convencionais precisariam se reinventar e descentralizar seus conteúdos através dos serviços de mídias sociais.
Não sei se as pessoal notam, mas a audiência dos portais centralizados vem crescendo bem a baixo da média da internet… Um exemplo clássico é que o Orkut é o site mais acessado e com maior tempo de permanência do Brasil… Quem imaginária isso poucos anos atrás, não concorda?
@Marcelo Minutti
Sim, Marcelo. Concordo com você. Tanto que lá fora os portais praticamente sumiram.
abs
[...] sequência, logo após o NYTimes, o jornal britânico Guardian também terá um gestor na área de “mídias sociais”. [...]
Acredito que esse seja um grande passo na abertura do NY Times aos novos tempos e aos tempos de redes sociais e conteúdo gerado pelo consumidor. Além disso, o papel da mídia tradicional passa a ser outro, a meu ver, o de facilitador e selecionador dos “melhores lances”, a colocação da pauta relevante em debate, a aglutinação das pessoas em torno de temas importantes.
Também fiz uma breve reflexão no MLOG sobre o fato: http://mlonlinegeneration.wordpress.com/2009/06/12/editora-de-midia-social-para-o-new-york-times/.
Abraços,
Stelleo Tolda
http://WWW.mercadolivre.com.br/mlog
[...] Veja também: A queda do poder da home [...]
[...] No início do ano, NYTimes e Guardian criaram cargos semelhantes. [...]
[...] e Guardian criaram funções semelhantes no início do [...]