
Entre os vários experimentos de integração do Twitter com outros sites, um que não deu certo foi o do Telegraphy, jornal que sempre foi entusiasta da utilização da ferramenta de microblogging (eles colocaram o Twitterfall ligado na redação em um telão).
Na página de economia do jornal, foi colocado um widget do Twitter (imagem abaixo) onde apareciam somente as mensagens do Twitter que tivessem a hashtag #budget. A intenção era discutir o orçamento britânico. Um videochat ou um fórum poderiam ser uma melhor saída, mas o Telegraphy continuou mesmo asssim.
O problema é que ao saberem que as suas mensagens apareceriam na página do jornal, usuários do Twitter começaram a enviar mensagens junto com a hashtag #budget com informações que nada tinham a ver com a discussão. No final, a discussão do orçamento não ocorreu.
Foi, mais ou menos, o que aconteceu com a página de scraps da Katilce, no Orkut, depois do show do U2 no Brasil (lembra?). Havia gente anunciando coisas para vender, outros aproveitando para dar um recado, fazer declaração de amor etc. O jornal tirou o widget do ar.

Para alguns, o Telegraphy superestimou a maturidade dos usuários do Twitter. Para outros, tudo não passou de um primeiro experimento.
Neste sentido, o escritor Nicholas Carr publicou um post – depois do flashmob, existe o hashmob, que é uma espécie de flashmob no Twitter, uma grande parte dos usuários combina de forma espontânea a utilizar uma única hashtag.
Crédito das imagens: webdesigner depot e guardian
Veja também:
Twitter até no telão da redação

Lembra-se do Tom? Tom Anderson (imagem acima), cofundador da MySpace, era aquele contato que, quando você se cadastrava pela primeira vez na rede social de música, era adicionado automaticamente à sua lista de contatos.
Era como um cartão de boas vindas da MySpace. Mais ou menos como acontecia no comecinho do Twitter. Você fazia o cadastro na ferramenta de microblogging e lá vinha Biz Stone, fundador do Twitter, adicioná-lo como amigo. Algo que hoje é impossível de ser feito manualmente.
A notícia é que Tom Anderson junto com Chris DeWolfe, fundadores da MySpace (foto abaixo), estão saindo da direção da empresa. A aparição de Tom como primeiro contato na MySpace está ameaçada.
DeWolfe continuará como assessor da rede social, ao fazer parte do conselho administrativo da versão chinesa da MySpace. O futuro de Tom é incerto, por enquanto.
Os fundadores da MySpace haviam passado por cima do velho ditado de que, depois que é comprado por terceiros, os fundadores de um site não permanecem mais do que 3 anos na direção. A MySpace foi comprada pela NewsCorp em 2005. Ou seja, já se passaram quase 4 anos.
Mas, desta vez, não teve jeito.

Em uma matéria tendenciosa, o Wall Street Journal, que é da NewsCorp, dá a entender que a mesma tentou salvar a MySpace durante todo esse tempo de problemas financeiros. A MySpace é uma das poucas plataformas de redes sociais que é rentável. É responsável pela maior fatia de receita da Fox Interactive Media, divisão digital da NewsCorp. Além disso, é a rede social mais visitada nos EUA.
O jornalista Om Malik faz uma análise mais interessante. Diz que a saída dos fundadores representa o fim de uma era em que as plataformas de redes sociais eram tratadas como o centro da internet. Redes sociais são “features” e comercialmente não têm sentido em existirem sozinhas (conceito até hoje controverso).
É necessário deixar a poeira baixar um pouco para ter certeza de como aconteceu essa saída dos fundadores da MySpace. Muita coisa contraditória vem sendo falada e escrita, entre elas, a de que os fundadores teriam sofrido muita pressão para tornar a MySpace mais popular e rentável frente ao crescimento da Facebook e do Twitter.
A única certeza é que a MySpace entrou na lista de empresas de internet que são populares, mas cujos fundadores não fazem mais parte da direção. Fim cada vez mais comum para as empresas de internet recentes. O caminho da separação entre fundadores e direção.
No Flickr, Caterina Fake está fora do site de fotos, cuidando do seu serviço de perguntas e respostas Hunch. No delicious, Joshua Schachter hoje está na Google. E no Blogger, Evan Williams vem tratando com cuidado do Twitter.

No dia 27, próxima segunda-feira, estréia a nova versão do Gengibre, ferramenta de microblog de voz. É uma espécie de Twitter só que de mensagens de voz, que podem ser enviadas direto do celular ou do navegador mesmo. Usuários já cadastrados no site podem ter acesso a uma versão de testes.
Entre os destaques da nova versão, interface e navegação mais simples, diversos recursos de plataformas de redes sociais e possibilidade de customizar o player de áudio, que pode ser embutido em qualquer post de blog ou no Orkut.
O Gengibre foi criado pelo Cazé, apresentador do Notícias MTV, programa do qual sou colunista, e pelo Rodolfo Sikora, desenvolvedor do iJigg.

Agora é oficial. O encontro de usuários, simpatizantes e desenvolvedores brasileiros do sistema de blogs WordPress acontecerá no dia 21 de junho e contará com uma palestra de Matt Mullenweg, criador do WordPress, que também participará do evento CMS Brasil.
A WordCamp Brasil será na cidade de São Paulo, mas o local exato ainda não foi definido pela organização.
Inscrições e mais detalhes podem ser conferidos aqui.

Vocês já devem estar sabendo, mas vale comentar. A Google lançou, em caráter de teste, o GoogleNewsTimeline, que mostra o histórico de um assunto na forma de uma linha do tempo (imagem acima).
Digite “Windows Microsoft” na caixa de busca e você terá um histórico de todas as matérias que já foram publicadas sobre o tema, sendo que você pode filtrar por fonte, somente blogs, artigos da Wikipedia ou de revistas.
A interface ainda não é das melhores, eu concordo, mas é uma forma a mais (e mais interessante) de apresentar as notícias.
Utilizar linhas do tempo para apresentar conteúdo informativo já é um recurso adotado por alguns jornais online. O britânico Guardian já é adepto do uso do Dipity, um site gratuito que permite que você construa uma linha do tempo sobre qualquer assunto. Pode ter textos, fotos, vídeos.
No final, acredito que o GoogleNewsTimeline será mais utilizado por jornalistas do que por leitores comuns. As pessoas geralmente não consomem informação dessa forma. Mas será bem útil para pesquisas.

O que chama a atenção é que quase nenhum jornal fez isso antes (o El Comércio, do Peru, já utiliza linhas do tempo/imagem acima). Reflexo da falta crônica de investimento em pesquisa e inovação (tipo de investimento comum em outras indústrias) e dos monolíticos publicadores de conteúdo ainda utilizados pelos sites de jornais e que, muitas vezes, não permitem que desenvolvedores criem de forma fácil recursos a mais.
Por aí a gente percebe que o que a Google faz no final das contas não é nada de mais. O GoogleNewsTimeline é uma idéia simples, não tão difícil de ser aplicada. O que a empresa de busca faz é crescer em cima das deficiências dos outros, no caso, dos sites de jornais.
Qualquer jornal poderia ter feito isso antes, se tivesse mantido o espírito de criatividade e inovação que tanto moveu a indústria de jornais em seu início.

“Nós atravessaremos por essa brutal mudança de negócios e de grande recessão. Histórias como essa são a principal prova de que alguns jornais sobreviverão”
Com essa frase, Bill Keller, editor executivo do NYTimes, comemorou os 5 prêmios Pulitzer que o jornal ganhou. O Pulitzer é considerado o mais importante, uma espécie de oscar, para o jornalismo norte-americano, que até hoje é referência para o resto do mundo.
Neste ano, as comemorações foram mais discretas, um dos últimos ganhadores do Pulitzer, no ano passado, por exemplo, hoje está desempregado.
Mesmo assim, o site de mídia Gawker publicou uma galeria de fotos de várias redações nos EUA comemorando a vitória por ter ganho o prêmio.
Enquanto isso, o recém lançado filme State of Play (trailer abaixo), com Russell Crowe e Ben Affleck, está sendo bem recebido.
É um filme que presta uma homenagem ao jornalismo. Tendo como base uma série da BBC, mostra a trajetória de jornalistas para descobrir um caso de corrupção e assassinato em Washington.
Em consequência da boa aceitação, o Los Angeles Times saiu atrás da resposta de por que, em época de crise mais acentuada no jornalismo impresso, Hollywood gosta tanto de produzir filmes enaltecendo os jornalistas.
A resposta é que Hollywood gosta de “uma boa história de ficção”.

“Estou começando a achar que o Twitter seria um lugar bem melhor se não contasse a quantidade de seguidores de ninguém”
Peter Rojas, fundador do blog de tecnologia Engadget, comenta sobre o Twitter.
Nesta semana, lá fora, ocorreu uma movimentação de celebridades em torno do serviço de microblogging, algumas disputando para ver quem tinha mais seguidores no Twitter.
A apresentadora Oprah entrou no Twitter. E o ator Ashton Kutcher (imagem acima) disputou com a CNN para ver quem chegava a 1 milhão de seguidores.
Na quinta-feira, MG Siegler, do Techcrunch, lembrou que o Twitter é uma ferramenta de comunicação e não um contador de seguidores.
Crédito da foto: mrskutcher

Meu rápido comentário sobre a condenação dos fundadores do site de troca de arquivos Pirate Bay.
Primeira coisa, apesar de todo o barulho na web, vale lembrar que a decisão é em primeira instância. Não é a decisão final, os advogados do Pirate Bay ainda podem recorrer da decisão (e vão recorrer).
Caso a posição do tribunal se mantenha, o efeito será o mesmo da condenação ao Napster, Grokster e outros sites de trocas de arquivos. Num primeiro momento, a indústria vai comemorar, mas os usuários em geral encontrarão outras formas de trocar arquivos.
O Pirate Bay, na verdade, é apenas um entre tantos outros sites de troca de arquivos.
Segundo Mike Masnick, do Techdirt, que desde 1998 cobre a parte de direitos autorais na web, o problema é que a indústria trata a “livre troca de arquivos vs estúdios e gravadoras” como um problema legal, jurídico, e não de modelo de negócios.
Neste sentido, um artigo no jornal Telegraphy lembra que a melhor forma de combater esse tipo de site é lutar com as mesmas armas – oferecer também downloads/conteúdo de graça, algo que eu já havia comentado em outro post.
Quer combater a “pirataria” para valer? Deixe os processos judiciais de lado e forneça um serviço melhor que os “piratas”, invista em uma “melhor experiência para o usuário”.

Para complementar o post Por que o Hulu já é o 2º site de vídeos mais acessado?, ontem mesmo, na quinta-feira, a Google se apressou e anunciou que vai exibir filmes, seriados e programas de TV completos no YouTube. Acordos estão sendo fechados com Sony, CBS, MGM, Lionsgate, Starz e BBC.
Semelhante ao Hulu, os vídeos estarão disponíveis apenas para usuários residentes nos EUA. E diferente do Hulu, a Google cogitou de adotar o sistema de pay-per-view ou de assinaturas para ter acesso aos “vídeos premium”. Por enquanto, a certeza é a exibição de publicidade.
A previsão é que com esse tipo de conteúdo, a Google tenha mais receita com publicidade e assim consiga tirar o site de vídeos do vermelho, torná-lo um negócio sustentável. Essa decisão mostra também o quanto o crescimento rápido do Hulu influenciou essa estratégia do YouTube.
Chama a atenção o protesto de algumas pessoas, acham que o “YouTube chegou ao fim”, se “vendeu para as corporações” e outras coisas do tipo.
Alguns programas e filmes completos já estão disponíveis em youtube.com/shows.
Veja também:
Uma internet cada vez mais pro