Extra, Extra! O “tabu da concorrência” foi quebrado

“A época em que os sites de notícias tinham medo de linkar para outros sites acabou”
Marc Frons, CTO do NYTimes Digital
O NYTimes colocou no ar o Times Extra (ainda não está disponível para todos os usuários). Nada mais é do que uma edição do site do jornal com links para conteúdos externos, sem tantos filtros corporativos ou medo de fazer propaganda de marcas da concorrência.
A decisão do site do NYTimes de ter também um caráter de agregador de conteúdo, hub de informações, como o Mahalo, entre outros, já era comentada nos bastidores. Agora, na home do portal do jornal, abaixo de algumas matérias e chamadas, existirão links que complementarão e ajudarão a dar mais contexto às informações (imagem acima). Links que, por sinal, são apontados para sites da concorrência – Wall Street Journal, Financial Times, Fox News.
É um pouco da cultura dos blogs e da “hyperlinkagem” em um dos jornais mais influentes do mundo. Blogs normalmente linkam até para a concorrência, muitas vezes a intenção é ser um hub de informação, um curador de conteúdo, não existe aquela política de não cobrir personagens ou não citar conteúdos associados a concorrentes, um tabu que existe há tanto tempo nas empresas de mídia.
Em sua maioria, sites que indicam bons links têm um tráfego alto – vide Drudge Report e The Huffington Post. No caso, o NYTimes indica bom conteúdo na rede, os leitores gostam, depois voltam lá para pegar mais indicações.
O único defeito do Times Extra é que esses links não deveriam estar no rodapé das matérias ou das chamadas, mas no meio dos textos mesmo, como hipertextos.
Com essa e outras decisões (liberar API, integração com redes sociais, abertura de conteúdo), 2008 foi marcado como o fim de uma era no NYTimes.
O jornal deixou de ser um jornal e caminha para ser uma “plataforma online de conteúdo”.
Crédito da imagem: Sillicon Alley
Postado em Quinta-feira, 4 dezembro, 2008 por Tiago Doria
Arquivado em: nyt
Ótima notícia!Afinal, é essa a lógica da Internet =)
abs!
Já era esperado!
O NYT começou a ensaiar isso em 2006.
Vide este artigo:
http://select.nytimes.com/glogin?URI=http://select.nytimes.com/search/restricted/article&OQ=_rQ3D1Q26resQ3DF50F12FB385B0C728FDDAE0894DE404482&OP=52a1382dQ2FbdQ7DWbkQ5EQ26Q7DQ5C,Q3BbTQ26pQ5CwwkQ3FbQ5CPTrQ5EmQ7DwPtQ26Q7DTQ26Q7D,bQ5CPQ26Q5ETVQ7DQ22wQ5CQ3DQ25rQ26Q3BV
O El Mundo também já coloca link externo desde 2006.
Abraços.
Fala Tiago,
Aqui na Multimídia da EBC estamos conversando sobre o conceito de jornalismo “ubíquo”: se os veículos virarem plataformas semânticas colaborativas, então é possível pensar numa mídia onde não se acessa mais “veículos”, mas navega-se por “pontos de vista” de uma mesma história.
Ainda há muito o que fazer nesse sentido, inclusive tecnologicamente, mas esse passo do NYT é prova de que a tendência segue por aí. Estou escrevendo um post sobre isso. Replicarei aqui. Abraço.
Fala aí, Tiago!
Tou passando, gostei do blog, achei a forma de escrita bem atrativa, e tou então, oferecendo parceria, vamos linkar nossos blogs!?
Abraço, independente da resposta, parabéns pelo blog!
Visite também o ( Óculose All star )!
Genial.
Será o fim das marcas? hehe
Tiago, esta é uma grande mudança de paradigima no jornalismo tradicional. Muito bom !
Abs,
Marcelo
G R O U N D B R E A K I N G !!!
Mas será que a ferramenta tem blacklist? Será q o NYT fará link para os concorrentes diretos NY Post e NY Daily Post? Ao mesmo tempo, está lá o link para WSJ – com quem disputam o posto de jornal mais influente.
Isso não é mero link externo eventual … é transferência de tráfego para quem – na lógica velha – é concorrente direto. Feito de forma sistemática e constante – via ferramenta. (Não estou defendendo a lógica velha !!!)
E não se restringe a rodapés das páginas. Tem espaço fixo na capa/home do site para algumas logins, imagino q aqueles associadas a CEP americano. Será que os links são sugeridos de acordo com perfil/hábito de leitura do usuário??
Para nós “plugados” leitores desse blog, parece trivial. Mas imaginem a Folha de SP com link para o Estadão? Imaginem o Estadão de papel na banca com manchetinha dizendo “Folha revela blá blá”.
E na TV? Alguém vislumbra o William Bonner anunciando: “Daqui a 10 minutos, a Record revela como ….”
Muito bom, muito gentil a iniciativa do nyt, tomara q pegue.
Mas o jornal continua, melhorado, ‘plataforma de conteúdo’ é feio
@Daniela
Obrigado pelo link.
abs
Opa, Daniel, quero ver esse post depois.
abs
@Eric
Obrigado pelos elogios, mas, por enquanto, não estou fazendo esse tipo de parceira. Eu linko para outros blogs, mas no contexto dos textos mesmo.
abs
[...] No fundo no fundo, estamos falando de um comportamento contemporâneo totalmente generalizado: o já tão comentado fato de que as pessoas vão poder (estão podendo) consumir conteúdo da forma como quiserem e quando quiserem. O brand hijacking emula esse comportamento ao promover a salada antes que o consumidor o faça (nem todo mundo faz por si). Quem fizer salada e distribuir, vencerá. Tem um post do Tiago Dória que resvala nesse assunto – o NYT está linkando conteúdos da concorrência. [...]
[...] New York Times linka a concorrência (aleluia!) 2) Soldados envolvidos em furtos de donativos em Santa Catarina são afastados 3) Que tal um [...]
[...] 5) Extra, Extra! O “tabu da concorrência” foi quebrado [...]
[...] às matérias links de veículos “concorrentes” para complementar a informação, (via Tiago Dória), ElPais oferecendo em “Lo Último”, links para outros veículos. Sites como “As [...]
[...] Veja também: Extra, Extra! O “tabu da concorrência” foi quebrado [...]
[...] A atual importância é tanta desses sites com caráter de curadores de conteúdo que o Washington Post tem um, o Political Browser, a Fox tem outro, o The Fox Nation, e o NYTimes segue pelo mesmo caminho com a sua política de linkar para outros sites de jornais. [...]
[...] Extra, Extra! O “tabu da concorrência” foi quebrado E 4 meses depois: Mais uma vez o “tabu da concorrência” foi quebrado [...]
[...] e citar o concorrente é visto como disparate, erro passível de demissão por justa causa. Que o NY Times use links para conteúdo dos concorrentes, com a finalidade de agregar valor à notícia, e, [...]
[...] começa a fazer links externos até para a concorrência, dinâmica já utilizada pelos sites de outros grandes jornais – New York Times, Wall Street Journal e Washington Post – e que [...]
[...] um sinal de que o “tabu da concorrência“, política de não citar conteúdo e personagens associados a concorrentes, vai caindo ao [...]