

Neste ano participei do júri da Folha de S. Paulo que elegeu os melhores e os piores momentos da área de tecnologia em 2007. O Windows Vista foi considerado a pior coisa que surgiu neste ano e o iPhone, a melhor.
Por curiosidade, meus votos foram os seguintes:
Melhores:
1) A internet fora do computador se consolidou. De forma mais efetiva, a web pôde ser acessada não somente pelo computador, mas também por meio do celular [iPhone] e da TV [IPTV]
2) Gravadoras e lojas online de música começaram a abolir o DRM
3) Redes sociais deram os primeiros passos para “conversarem” umas com as outras. E assuntos como interoperabilidade e portabilidade de dados vieram à tona
4) Crescimento e consolidação de novos formatos de mídia, como o microblogging e os próprios blogs
5) Tecnologia touchscreen começou a ganhar mercado
Piores:
1) Bloqueio do YouTube no Brasil
2) A ausência de interatividade na TV digital no Brasil
3) A constante falta de padronização para mensurar a audiência online
4) Blogueiros que publicam posts pagos sem avisar aos leitores
5) Digg baniu, sem avisar, usuários que postaram um código para destravar HD DVD’s

Janeiro
Cá entre nós, 2007 não começou nada bem para os brasileiros. O acesso ao YouTube foi bloqueado no Brasil. Enquanto isso, lá fora, o lançamento do iPhone era anunciado, e o Joost ganhava um concorrente, o Babelgum.
Depois, por aqui, o COB resolveu proibir a transmissão ao vivo dos Jogos Pan-Americanos pela internet… um Windows Vista, sem grandes novidades, foi lançado… vamos para o mês de fevereiro que é melhor.

Fevereiro
As coisas começaram a melhorar. Steve Jobs publicou uma carta, Thoughts on Music, declarando o fim do DRM. A partir desse documento, algumas gravadoras aboliram o DRM. Teve a Disney apresentando a Web 2.0 para as crianças. E, claro, não poderia esquecer do “povo da internet” que mandou 1.000 bundas para o Bush.

Março
Começou com a realização da 1ª BarCamp Sampa, que serviu de referência para a organização de diversas outras “desconferências” no Brasil.
Na mesma época, foi lançado o Gafanhoto, espaço voltado para a “comunidade web” em São Paulo. O Twitter virou hype lá fora durante a realização da conferência SXSW. E o mês fechou com as comemorações dos 10 anos do primeiro blog.

Abril
Tentativa mal sucedida de lançar um código de conduta dos blogueiros. Narcisismo e voyeurismo ganharam novo impulso na web com o lançamento de sites de “streaming media”. Jornalismo cidadão ganhou destaque durante o Massacre de Virginia Tech.

Maio
Com certeza, o mês mais movimentado. Usuários se revoltaram contra os administradores do Digg e resolveram atacar o site. O Pandora foi bloqueado no Brasil.
‘Outsourcing‘ chegou ao jornalismo. CBS começou o seu novo reposicionamento, que virou trendsetter. No final, ainda deu tempo de visitar o “Orkut dos ricos“. E, para fechar com chave de ouro, aconteceu um encontro histórico entre Bill Gates e Steve Jobs.

Junho
CNN e MSNBC começaram a investir em newsgaming. O YouTube ‘abrasileirou’. Depois, mais para o final do ano, vieram versões da MySpace e do Flickr para o Brasil. Facebook começou a abrir caminho para a 2ª geração de redes sociais. E, com muitas filas, iPhone foi lançado nos EUA.
iG e Uol lançaram o cargo de ombusdman nos portais de internet.

Julho
Talvez pela 1ª vez, o YouTube foi usado para espalhar um trojan. O Live Earth bateu um recorde – foi o evento mais assistido ao vivo pela internet – 10 milhões de pessoas ao mesmo tempo.
Relatório do Technorati apontou uma queda no crescimento dos blogs. E a tragédia do vôo 3054 se tornou um marco para o jornalismo participativo no Brasil.

Agosto
Google passou a usar microformats em mais alguns serviços. Andrew Keen lançou o Cult Of Amateur, livro com duras críticas às mídias sociais. E o hype do microblogging finalmente chegou ao Brasil.

Setembro
Google News foi reformulado – integração com YouTube, parceria com agências e comentários em algumas matérias. Assuntos como portabilidade de dados começaram a vir à tona em discussões sobre redes sociais.
Colmeia.TV lançou o primeiro videocast feito de forma mais profissional no Brasil. Caiu um dos grandes ícones do conteúdo pago na web – The New York Times abriu o acesso gratuito a todo o seu site.

Outubro
Pop!Tech 2007, uma das mais importantes conferências sobre ciência e tecnologia do mundo, trouxe discussões sobre o uso social das tecnologias. Neste ano, blogueiros em todo o mundo foram convidados para cobrir a conferência em diversos idiomas, inclusive este que vos escreve.
Google anunciou o Open Social e o assunto “integração de redes sociais” ganhou espaço.

Novembro
No comecinho do mês, aconteceu, em São Paulo, o “Seminário de tendências nas mídias sociais“, que discutiu as últimas novidades na área de mídia e que ajudei a organizar. Começaram os primeiros testes com High Definiton em sites de vídeos no Brasil e lá fora. De quebra, foi realizada a NewTeeVee Live nos EUA. Melhor evento do ano, em minha opinião. Discutiu-se monetização de vídeos online e a convergência entre TV e web.

Dezembro
Uma TV Digital sem interatividade foi lançada no Brasil. Facebook pisou feio na bola com o lançamento do programa de marketing Beacon. O Orkut foi atacado por um worm na madrugada.
E, para compensar o começo do ano, com o bloqueio do YouTube, 2007 fechou com o lançamento do projeto Radar Cultura.
Em resumo, 2007 foi um ano e tanto. Sinal de que estamos em uma época de transição.
Nesta época de festas, o blog diminui o ritmo. As atualizações ficam menos constantes, mas continuam. Separei alguns dos melhores trechos das entrevistas que foram feitas neste ano. Releia ou leia pela primeira vez algumas delas:

Fábio Seixas, direto da Techcrunch 40
“A minha percepção é de que esse modelo [revenue sharing] é bem recebido pelos investidores. Por outro lado, já se vê um certo preconceito com empresas cujo modelo de negócio é unicamente baseado em publicidade”.

Juliano Spyer, autor do livro Conectado
“O YouTube foi comprado pelo Google por US$ 1,65 bilhão, a News Corp pagou US$ 680 milhões pelo MySpace. Mas ninguém sabe ao certo como reaver esses investimentos. O projeto que tem mais perspectiva de dar certo na Web é aquele que efetivamente transfere poder para as pessoas”.

Thiane Loureiro, da Edelman Brasil
“Ainda a Internet é ‘manuseada’ como se fosse mídia tradicional, com mensagens de cima pra baixo (top down). Mas as empresas começam a se abrir e a perceber que é necessário virar esse jogo. E, em breve, veremos muito mais blogs corporativos recheando o dia-a-dia das corporações”.

Leandro Meireles, do blog Sampaist
“Acho que o que ainda falta, e que vamos demorar para atingir, é a diversidade editorial e a respeitabilidade que os blogs têm nos EUA. Os blogs brasileiros precisam furar e pautar mais a mídia”.

José Murilo Jr, do Global Voices Online
“Na minha opinião, já naquela época todos os players sabiam que não ia dar para seguir por este caminho [uso do DRM]. O curioso é que quem lucrou no período foi o Steve Jobs, e não à toa, foi quem teve a sensibilidade de perceber o momento limite para virar o jogo. Respondendo: o DRM acabou”.

Alexandre Inagaki, da InterNey Blogs
“Aqui no Brasil, ainda são raros os casos de blogueiros que produzem conteúdo inédito jornalístico, com entrevistas e matérias elaboradas pelos mesmos. Por outro lado, a blogosfera é um ambiente desvinculado dos interesses ideológicos de uma empresa jornalística, dando a um jornalista a possibilidade de elaborar suas próprias pautas”.

Daniela Bertocchi e os 10 anos da blogosfera
“O erro, na verdade, não é esse; o equívoco é achar que o que separa os blogs é a fronteira do idioma [...]. Em primeiro lugar, o que separa os blogs é a fronteira cultural. E o idioma está incluído na cultura, junto com uma data de outros componentes bem complexos (como “identidade”, por exemplo)”.

Rodolfo Sikora, um dos fundadores do iJigg
“Web 2.0 para mim é um rótulo para identificar a revolução atual da web, que basicamente surgiu com o advento do AJAX e da possibilidade de integração simplificada entre tecnologias. Agora quer realmente saber minha opinião? Nada disto interessa se não servir para facilitar a vida das pessoas”.

Marco Gomes, criador do boo-box
“Não copie. Não importa se o serviço que você pretende copiar não existe em português. Se você quer um serviço em português, entre em contato com o responsável e peça uma versão traduzida. Se ofereça para ajudar na tradução, mas não copie! Eu mesmo fiz parte da equipe de tradução do FeedBurner para o português”.

“Gostava da MTV nos anos 90, depois enjoei. Vejo pouca televisão. Hoje a gente vê clipes na internet, né?”
A blogueira e fotologger Marimoon brinca a respeito de ter sido contratada pela MTV. A sua contratação foi anunciada à imprensa nesta semana. Em 2008, ela será VJ do programa “Scrap MTV”.
Desculpem-me os ‘xiitas da blogosfera’, mas a sua contratação é importante para a consolidação dos blogs no Brasil. É uma profissional que fez o seu nome nas novas mídias [fotolog e blog], e que agora é contratada por um veículo mais tradicional.
Segue assim o caminho de outras lá fora, como a Amanda Congdon, ex-apresentadora do videocast Rocketboom, que, no ano passado, foi contratada para apresentar um programa na ABCNews.
A foto é do Flickr da Marimoon

Por meio de um comentário do Cristiano Fagundes, leitor deste blog, conheci um site de jornalismo-cidadão superinteressante e do qual ele é editor aqui, na América Latina. É o The Observers, do canal de notícias France 24.
Acredito que o projeto peca somente por não ter versões em várias línguas, já que, pelo visto, a intenção é ter “cidadãos-correspondentes” em todo o mundo, mas gostei bastante do que vi.
Trabalha com mashups e a forma de apresentar as notícias é bem funcional – em formato de blog e, no rodapé de cada texto, existe um perfil para cada cidadão-repórter que contribuiu para a matéria. Além disso, você pode estar ligado ao site de várias formas – como observador, amigo ou editor regional.
O projeto trabalha dentro de um “modelo híbrido” de mídia – algo que eu sempre bato na tecla aqui, no blog. Em nenhum momento, o jornalismo tradicional é minimizado. Os jornalistas trabalham em conjunto com os cidadãos-jornalistas, que enviam material direto das ruas.
Confira aqui. Abaixo um vídeo, em inglês, que explica o serviço.

O pessoal do Gawker, blog de fofocas da área de mídia, também fez uma seleção dos 10 melhores vídeos de 2007. Todos voltados mais à área de cultura pop e mídia.
Veja se você não se lembra de alguns. Esse vídeo do editor da Forbes, que ficou desesperado por ficar uma semana sem celular e email, é emblemático. No final, o cara começa a chorar.
A seleção do Gawker está aqui. E a minha, voltada à área de tecnologia e mídia, segue aqui.
A equipe do Orkut manifestou-se sobre o ocorrido na madrugada de terça para quarta-feira.

Lendo o SmartMobs soube que o The Metropolitan Museum, de Nova York, lançou um hotsite no qual os usuários podem colocar tags nas obras de arte do museu.
Certamente surgirão novas classificações e relacionamentos entre as obras. Por enquanto, o projeto está em caráter experimental e tem o objetivo de melhorar as buscas internas da versão online do museu, que foi um dos primeiros a lançar um podcast.