
“O principal é que não há continuidade. As pessoas passam de um equipamento para o outro sem ter tempo de verdade para se integrar e conectar a ele”.
O antropólogo francês Clotaire Rapaille comenta em entrevista à revista Send, lançada nesta semana, sobre o quanto os aparelhos de celular têm tanta funções que é impossível dominá-lo por completo durante seu tempo de vida útil.
Foto do Flickr do Editor

Alô?
Nesta semana, dois integrantes do gabinete de George Bush, ou seja, duas pessoas influentes e muito próximas ao presidente, iniciaram seus próprios blogs. O Secretário de Saúde e Serviços Humanos Mike Leavitt, e Michael Chertoff, chefe da segurança dos Estados Unidos.
Podem mandar quantas bundas quiserem, mas não dá para negar que a administração Bush é a que mais tem se aberto ao uso do blog como ferramenta de comunicação institucional.
Aliás, no mês passado, o presidente promoveu um encontro com blogueiros. E o Departamento de Estado segue, firme e forte, com o seu blog.
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1.000 bundas para o Bush. Presente da internet!
Primeiro “social media press release”

Investir em publicidade online não é mais pecado
Para incentivar a canonização [tornar santo] do Papa João Paulo II, morto em 2005, o Vaticano deu início a uma campanha online, que inclui o lançamento de um DVD pela Universal Music.
No site Santo Subito Online [que inclui versão em português], já é possível comprar na pré-venda o DVD Santo Subito e votar em uma enquete, que questiona se o Papa deve ser canonizado ou não.
Uma fonte no Vaticano afirmou ao MediaGuardian que o lançamento do DVD e do site faz parte de uma campanha online maior pela canonização do Papa João Paulo II. “Existe melhor caminho para incentivar a canonização do que lançar um filme como esse e usar a internet para isso?”
O DVD contém diversas imagens [acompanhadas de músicas] da trajetória de vida do Papa, como uma visita ao campo de concentração de Auschwitz e à África.
Será lançado no mês que vem. Mas a campanha online já está rolando. Já existe até trailer no YouTube.
O governo italiano está preparando um projeto de lei que obriga os blogs a terem um jornalista registrado como ‘editor responsável’. A idéia saiu da cabeça de Ricardo Franco Levi [subsecretario do presidente italiano Prodi].
O pior nem é isso. O projeto prevê que os blogs serão obrigados a pagar impostos independentemente de gerar receita ou não aos seus autores.
Das duas uma – o projeto não é aprovado pelo parlamento italiano. Ou, como forma de burlar a lei, os blogueiros começarão a hospedar seus blogs em servidores fora da Itália.
O email de Levi está sendo espalhado na rede para quem quiser mandar a sua “opinião” a respeito do projeto de lei.
Obrigado pelo link, Paulo!

A partir dessa data, todo o conteúdo da edição impressa e dos arquivos do jornal espanhol poderá ser acessado de forma gratuita. O modelo de conteúdo pago na rede é adotado pelo Elpais desde 2003.
Seguirá assim a fórmula do The New York Times, que liberou o acesso gratuito no mês passado – ganhar mais tráfego para poder aumentar o valor dos anúncios.
Agora é só fazer uma listinha – neste ano, já são 3 jornais que liberaram o acesso gratuito ao seu conteúdo – The New York Times, Financial Times e agora o ElPais.
Acredito que essa movimentação demonstra não tanto a falência do modelo de assinaturas na rede, mas o quanto o mercado de publicidade online lá fora está amadurecido.
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Entre o vai e vem dos eventos sobre web, o Web 2.0 Summit se mostrou bem morno neste ano.
Para se ter uma idéia, de novidade, somente o anúncio de que estão fazendo alterações para que o Joost rode dentro do browser. Ou seja, será uma ferramenta online. Não vai precisar instalar nada no computador.
A impressão que fica é que o evento Web 2.0 Summit está igual ao uso do termo Web 2.0 – desgastado.

Por outro lado, o TechCrunch 40, que aconteceu em setembro, vem ocupando o espaço da Web 2.0 Summit. Diversas empresas lançaram serviços durante o evento, como Viewdle [sistema de reconhecimento facial em vídeos], ou ainda o Musicshake [permite criar músicas de forma colaborativa].
Bem ou mal, modelos de negócios foram discutidos [revenue share]. E a repercussão em blogs foi grande. Mas é o tipo de conferência voltada para quem quer fechar negócios [e só, talvez].
Para quem não leu ainda, confira a entrevista que fiz com Fábio Seixas, da Camiseteria, que esteve presente na TechCrunch 40.

Neste ano, a Pop!Tech seguiu o seu ritmo normal. Semelhante à TED Conference, é uma conferência que já tem seu próprio público e dinâmica. Podem surgir modismos e “bolhas da internet” que ela continua no seu ritmo [a Pop!Tech é realizada desde 1997].
São dois eventos que trabalham mais com a apresentação de idéias e conceitos do que de produtos.

Um que promete boas discussões é o NewTeeVeeLive, que acontece em novembro, em São Francisco. Primeiro, por ser mais focado – convergência televisão e web. Segundo, por tratar de um tema atual – videocasts – e trazer um time de convidados interessante, pessoas que realmente estão fazendo coisas bacanas na web.
Quincy Smith, que vem fazendo a reviravolta na CBS; Kevin Rose, da rede de videocasts Revision3; e Dina Kaplan, do Blip.tv, site que agrega diversos videocasts.
Desse vai valer a pena acompanhar toda a repercussão nos blogs.
PS – Detalhe que o TechCrunch 40 e o NewTeeVeeLive são eventos organizados por blogs. Está aí uma capacidade de articulação que a ferramenta tem e, às vezes, é pouco explorada.

The Wall Street Journal, Valley Wag e Inside Facebook. Todos estão comentando. A Facebook anunciará nas próximas horas quem levará 5% da empresa. A Google teria oferecido US$ 750 mi. A Microsoft US$ 500 mi, conforme boato de 2 semanas atrás. As apostas de quem leva parte da rede social estão caindo para a Google.
Os rumores estão mais fortes, pois a Facebook agendou para 6 de novembro uma coletiva em que anunciará um novo sistema de publicidade para a rede social. Na mesma época, a Google anuncia o seu novo projeto em redes sociais.
Tudo isso pode explicar o fato de Mark Zuckerberg [que normalmente fala bastante] ter ficado tão arredio às perguntas de John Batelle durante a conferência Web 2.0 Summit.
Quem sai ganhando com tudo isso? A Facebook. Além de reduzir as chances da Google desenvolver um rival para a Facebook, a empresa de busca se mostra como um parceiro bem melhor para experimentações na área de publicidade [propaganda baseada não no texto da página, mas nas características de sua rede de contatos].
The Wall Street Journal, Valley Wag e Guardian. Todos estão comentando. A Google teria comprado, por US$ 750 milhões, 5% da rede social Facebook.Portanto não seria a Microsoft que teria adquirido, conforme boato de 2 semanas atrás.
Os rumores estão mais fortes, pois a Facebook agendou para 6 de novembro uma coletiva em que anunciará um novo sistema de publicidade para a rede social. Propaganda baseada não no texto da página, mas em características de sua rede de contatos.
Na mesma época, a Google anuncia o seu novo projeto em redes socias. Tudo isso pode explicar o fato de Mark Zuckerberg [que normalmente fala bastante] ter ficado não arredio às perguntas de John Batelle durante a Web 2.0 Summit.

Encontro durou 3 dias em Maine, próximo a Portland, nos EUA
Quem esperava uma conferência de tecnologia focada em informática se decepcionou. Os últimos “brinquedinhos do Google” ou aquela “ferramenta de rede social que vai revolucionar o mundo” não tiveram muito espaço.
Antes de tudo, a Pop!Tech é uma conferência de tecnologia no sentido mais amplo da palavra. Tem espaço para um Paul Shuper, que desenvolve um software para celular usado no combate à AIDS; e até para um Jay Keasling, que trabalha com microorganismos sintéticos que produzem etanol, visando, assim, a eventual solução futura do problema de combustíveis não-renováveis.
Menos ainda a Pop!Tech se trata de uma conferência sobre produtos ou showroom de empresas de tecnologias [exemplo: Techcrunch 40]. É muito mais sobre idéias e conceitos. É desses 3 dias de discussão que vão sair produtos e projetos.

Em pé, Andrew Zolli, curador da Pop!Tech, um berço de tendências
Acredito que, justamente graças a essas características, a Pop!Tech existe há tanto tempo – é realizada desde 1997. Produtos, técnicas e empresas vão e voltam. Mas idéias e conceitos ficam. Conferências que se apóiam somente em apresentar produtos não duram muito.
Um exemplo da discussão de idéias foi a palestra de Christian Nold, artista e pesquisador de mashups, que alertou sobre o quanto o conceito de mashups de mapas vem sendo mal compreendido.

Bora Yoon: Palestras foram intercaladas com apresentações de artistas
Mashup é misturar dois ou mais conteúdos para encontrar e apresentar um terceiro e novo conteúdo. E não como atualmente é feito - apenas como uma “vitrine de dados”, juntando um conteúdo conhecido a um mapa [mapa com os restaurantes mais bacanas da cidade, por exemplo].
O artista Jonathan Harris, do We Feel Fine, mostrou o quanto a capacidade narrativa da web ainda é pouco explorada. E Sheila Kennedy impressionou a todos com o seu tecido que gera energia elétrica.
No último dia, Bill Shannon deu um exemplo de como a boa auto-estima é importante para uma pessoa, tanto em sua vida pessoal quanto profissional. Apesar de ter problemas em movimentar as duas pernas desde criança, Shannon mostrou uma outra forma de encarar a deficiência para a qual a ciência ainda não encontrou uma solução definitiva.

Dança de muletas no palco da Pop!Tech
E a apresentação de Daoud Kuttab, um dos mais importantes jornalistas e profissionais de internet no Oriente Médio, foi ótima. Um pouco diferente do Ocidente, no Oriente Médio a internet é vista como um instrumento de libertação, uma peça importante na abertura de qualquer país. Algo até profético, quase uma tábua de salvação.

Momento de humor: tatuagens em todos os lugares
Minha participação como bridge-blogger foi feita de forma remota via teleconferência, AIM, Skype, emails e telefone. Foi uma loucura. Mensagens pipocando no AIM. Dois computadores ligados o dia inteiro. E 12 horas por dia acompanhando todas as discussões. Tudo mundo conectado – lá e aqui.
A idéia dos bridge-bloggers foi muito bem aceita, ajudou a propagar as idéias da Pop!Tech. Muitos contatos foram feitos. Uma comunidade de comunicadores foi formada [confira aqui todos os blogs que cobriram o evento].

Para mim, a Pop!Tech ajudou a reforçar mais ainda a idéia de que as tecnologias são apenas ferramentas. Não adianta nada elas existirem se não forem instrumentos para as pessoas viverem melhor.
É importante ter isso em mente sempre quando for desenvolver algo – desde um blog até um inovador sistema de teletransporte. De que forma vai ajudar as pessoas a viverem melhor? O que vai acrescentar à vida das pessoas?
A Pop!Tech já está na minha agenda do ano que vem.