Quarta-feira, 10 janeiro, 2007
Caso YouTube: quando tentam transformar erro em virtude

Entre mortos e feridos, mais feridos que mortos - Cicarelli, que, pelo menos formalmente, não deu entrada com o recurso [agravo] que acabou gerando o bloqueio, saiu com a imagem bem arranhada -, resta juntar os cacos e ver o que a gente pode aprender com essa história toda do bloqueio do YouTube. Acompanhe comigo.
* Primeiro, um desembargador concedeu uma liminar determinando o bloqueio total do site. Gerou repercusão em blogs e na mídia. Depois, o desembargador disse que não pediu o bloqueio total do YouTube. No papel constava outra coisa.
* O fato é que as operadoras tiveram que se desdobrar para bloquear o site, a máquina judiciária foi movimentada, anunciantes brasileiros no YouTube não viram suas peças publicadas e, possivelmente o mais importante, usuários brasileiros, consumidores, ficaram a ver navios.
* O desembargador voltou atrás e disse, em um despacho de ‘desbloqueio’ do YouTube, que foi mal interpretado. Afirmou que nunca pediu o bloqueio total do site, queria impedir o acesso somente ao vídeo. Mas, o estrago já estava feito.
* A Justiça realmente tinha por objetivo o bloqueio completo e, ao perceber o tamanho da encrenca, voltou atrás com uma justificativa pouco convincente? Ou teria sido a determinação judicial mal interpretada pelos que a cumpriram? Ou houve um lamentável erro na própria elaboração do ofício? Ou ainda, o magistrado se expressou muito mal, queria uma coisa mas acabou dizendo outra?
* O pior de toda essa confusão não foi a interpretação supostamente errada, mas o fato do juiz ter dito, no despacho do ‘desbloqueio’, que ‘o resultado foi positivo‘. O ideal teria sido revogar a liminar anterior, que afinal determinava o bloqueio do site, e, em seguida, conceder uma nova especificando-o apenas para o vídeo. E pedir desculpas à sociedade pelo transtorno ou, pelo menos, não elogiar o que ele próprio dá a entender que foi um equívoco.
* Repare no trecho do despacho - Nesse contexto, o resultado foi positivo - Ou seja, no final das contas, ele entende que tudo isso foi positivo para a imagem da Justiça brasileira.
* Acredito que, para muitos, o efeito foi exatamente o contrário. A lição que ficou é a de que a Justiça é falha nestas questões envolvendo a internet. Um precedente terrível. No final, quiseram transformar um erro em uma virtude
7 Comentários
dezembro 10th, 2007 at 0:11
[...] Brasil ganhou destaque. O bloqueio ao YouTube, no começo do ano, é lembrado como um ato de [...]
dezembro 27th, 2007 at 3:19
[...] Cá entre nós, 2007 não começou nada bem. O acesso ao YouTube foi bloqueado no Brasil. Enquanto isso, lá fora o lançamento do iPhone é anunciado, e o Joost ganhava um concorrente, o [...]
dezembro 29th, 2007 at 15:38
Que se dane o You Tube. Site de merda. Coisa de boiola.
Mas se bloquearem o DistroWatch eu mato o f.d.p. que fizer isso!
abril 9th, 2008 at 23:02
[...] recomendo o post do Tiago Dória: Caso YouTube: quando tentam transformar erro em virtude [...]
abril 10th, 2008 at 4:34
[...] Foram dois lances em menos de uma semana. Primeiro, proibição da venda do jogo Bully e, depois, por causa de um blog, o acesso a todos os blogs hospedados no WordPress.com poderá ser bloqueado. Lembra o caso Cicarelli-Youtube. [...]
abril 17th, 2008 at 13:36
[...] criminosas” (?) de um blog que não foi identificado. Já existem precedentes, como o caso Cicarelli x Youtube e a proibição de alguns jogos (como Counter Strike e Everquest). O blog Usuário Compulsivo já [...]
julho 3rd, 2008 at 18:12
[...] Post relacionado: Caso YouTube: quando tentam transformar erro em virtude [...]
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