
Percebe-se que o lançamento de uma nova edição do Windows já não tem o mesmo impacto de antes. Aquele carnaval todo, até com música dos Rolling Stones é coisa do passado. O lançamento do iPhone e da própria linha de serviços Live, da Microsoft, causou mais burburinho e representou mais para a história da internet.
Por si só, o impacto do lançamento era para ser maior já que um novo Windows não é lançado desde 2001. É o maior tempo entre uma edição e outra do sistema operacional. Mas o impacto foi menor – várias informações, versões e printscreens do sistema já haviam vazado e sido discutidas antes na internet. A maioria das pessoas já sabia o que vinha pela frente.
O Windows Vista não é um divisor de águas como foi o Windows 95, que, entre outras coisas, trouxe o sistema “plug and play” e uma interface gráfica decente ao usuário comum. Já a linha Live é um novo marco e algo mais inovador para o histórico da empresa. Representou um novo posicionamento da Microsoft em relação à web, ao conceito de Web 2.0 e à integração entre ferramentas online e offline. Algo significativo.
Mas, por hoje, os holofotes ficam em cima do Vista.

Gostei do Babelgum, um serviço europeu de “TV pela internet” e que usa a tecnologia p2p, a mesma utilizada no Kazaa e Napster. É gratuito, mas não é totalmente online. Você tem que baixar um ‘programinha’ [client] para a ‘TV funcionar’.
* O que impressiona, logo de cara, é a qualidade da imagem em tela cheia. Usando uma conexão de 2MB, funcionou direitinho aqui, sem quebras no som e na imagem.
* Ao fazer o login, você entra em uma seção TV, que reúne vários canais, como uma TV a cabo mesmo. Esportes, Notícias, Desenhos, Comédia e um sobre blogs [!] – por enquanto, existem somente vídeos do Rocketboom. O primeiro canal, o default, é um com vários trailers de filmes – Rock Balboa, Miss Potter, Homem Aranha 3, entre outros.

* Existe uma outra seção chamada ‘Vídeo’, onde é possível criar uma lista de seus programas e vídeos favoritos, o que dá a entender que você pode ‘montar o seu próprio canal’.

* A interface lembra uma TV – existe um pequeno controle remoto que pode ser arrastado de um lado para o outro, além de botões de ligar e desligar semelhante a um aparelho de TV. Aliás, dá para deixar o Babelgum em modo standby.
* O conteúdo ainda é bem fraquinho. Tudo ainda está em ‘fase beta’. No canal de notícias, por exemplo, existem somente vídeos das agências AP e Reuters. Além disso, falta conteúdo independente. O Babelgum trabalha semelhante ao Kazaa – somente quando os usuários começarem a usar mais o serviço é que aparecerá conteúdo mais rico e variado.

* E assim como o YouTube, não substitui a TV tradicional, mas é um ótimo complemento na ‘dieta diária de informações‘. Ainda não testei o concorrente Joost, mas quem experimentou os dois fala que o Babelgum é bem melhor.
Vou continuar testando.

Bati um papo por email com Marco Gomes, um dos desenvolvedores do boo-box, um sistema brasileiro de ‘monetização’ de blogs, que ganhou, nesta semana, repercussão internacional em diversos blogs que cobrem a Web 2.0, indo parar no Techcrunch e no Go2Web20. Que eu lembre, tornou-se uma das ferramentas da Web 2.0 brasileira com mais destaque lá fora.
1) Vocês realizaram parte do sonho de muito empreendedor web brasileiro. Já ganharam repercussão internacional com uma ferramenta produzida aqui, no Brasil. Ainda está no começo, mas é o primeiro passo. Como você vê tudo isso? Você acredita que o fato do serviço ter uma versão em inglês e ter uma “postura global” – ser voltado tanto para o usuário brasileiro como o de fora do país – pesou para ganhar essa repercussão?
São apenas 5 dias desde o lançamento, não tivemos como cair na real ainda. Mas fizemos o lançamento dividindo-o em etapas, liberando “o que estiver pronto” a cada semana. É obvio que não esperávamos essa repercussão toda, mas nos preparamos para uma penetração na ‘blogosfera’ mundial sim.
Inicialmente o serviço sequer teria uma versão em português, mas percebemos que teríamos muito mais aceitação dos blogueiros se afirmássemos nossa origem.
Nós não somos uma “empresa”, somos blogueiros. O Rapha tem uns 342² blogs, cujo carro-chefe é o Propaganda Interativa e eu tenho o MarcoGomes, agimos SEMPRE pensando nos três lados: blogueiro, comprador e loja online. Tanto que até a instalação do produto é o mais simples o possível, com apenas uma linha de HTML.

Destaque no Techcrunch
2) Como é a estrutura do boo-box? Bem “de garagem” :-) ? Como vocês estão se virando para tocar o projeto em frente?
Pois é, o boo-box são duas pessoas: Marco Gomes e Raphael Vasconcellos, e nossas madrugadas sem sono. Somos ajudados por amigos fazendo partes do design, ajudando na hospedagem, fazendo arquitetura, programação, consultoria. Sempre temos o apoio desses nossos manos pra fazer o boo-box acontecer, sem eles o boo-box seria fonte “Times” preta sobre um fundo cinza =)
Mas o mais importante são os blogueiros, espalhando a notícia, fazendo resenhas em váriados idiomas, apontando falhas e exaltando suas qualidades. É muito importante receber e-mails que nos motivem a continuar, nada como ler um e-mail às 3 da madruga de alguém de Singapura dizendo que o serviço é “aewsome”, ou que “vamos mover montanhas” =) Mas também é importante ouvir as críticas e pesá-las com cuidado.
3) Como surgiu a idéia do boo-box? Percebo uma semelhança com o Like, na maneira de associar fotos a sites de compras.
A história é complexa, mas resumindo bastante posso dizer que foi uma idéia ingênua que eu tive algum tempo atrás. Às 2 da madruga mandei e-mail para o Rapha mostrando uma foto da Gisele Bündchen de All Star, dizendo que a gente podia vender o All Star dela, mas foi só isso, sequer lembrei disso no outro dia, estava meio bêbado de sono. Faço isso até hoje, são mil idéias populando a caixa-de-entrada dos amigos, têm umas que são bem idiotas =)
Voltando ao boo-box: foi uma idéia bem boba que enviei para o Rapha, que com sua infinita experiência e feeling, amadureceu para o que é o boo-box hoje. Ele criou modelo de negócio, viu onde poderíamos atuar, como atuar, como seria o produto, até mesmo a idéia da “caixa sobre o site” é dele. Conhecemos o Like depois da nossa idéia definida, ele não nos influenciou muito desde então, são produtos bem diferentes.

Destaque também no mais importante diretório da Web 2.0
4) Existem muitas dúvidas sobre como vocês vão ganhar dinheiro com o boo-box e as parcerias com sites de afiliados? Já existe um modelo de negócios? Como vai funcionar? Quando começa a fase beta?
Os beta-testers inscritos no site poderão testar a ferramenta na sexta-feira, dia 26. Quanto às dúvidas sobre lucratividade, parcerias, modelo de negócios, bem, é simples, nós queremos que as lojas se interessem em entrar no boo-box, é delas que virá o dinheiro, não do blogueiro. A partir do momento que um produto é vendido a partir do site do blogueiro, a comissão é toda dele, nós queremos mais é que as pessoas fiquem ricas (!) vendendo com o boo-box.
5) Qual o recado que você pode mandar para o pessoal que quer montar um negócio na área de web 2.0? Alguma dica?
Não posso dar dicas para quem quer montar um “Negócio”, sequer consigo administrar minhas contas! Mas se você quer criar um serviço, bem, nisso eu posso tentar ajudar:
1) Seja útil.
2) Tenha uma “missão” e não se desvie de maneira nenhuma.
3) Não copie. Não importa se o serviço que você pretende copiar não existe em português, se você quer um serviço em português entre em contato com o responsável e peça uma versão traduzida, se ofereça para ajudar na tradução, mas não copie! Eu mesmo fiz parte da equipe de tradução do FeedBurner para o português.
4) Planeje-se um pouco, mas não muito, senão o projeto nunca sai. Só se preocupe com os problemas quando tive-los, não interessa se seu servidor não suporta 4 mil usuários simultâneos, você não tem 4 mil usuários simultâneos ainda né?
5) Faça o produto ser bonito, mas não se atrase por conta de “10 pixels pra direita”. Enfim, tenha bom senso =)
6) Tenha contatos, pessoas preferem usar serviços de quem conhecem.

Em tempos de YouTube e aumento de usuários de banda larga, o COB [Comitê Olímpico Brasileiro] resolveu proibir a transmissão ao vivo dos Jogos Pan-Americanos pela internet. Evento que acontece em julho.
O mais sensacional dessa história é a justificativa do COB para a proibição:
- No Brasil, o aparelho de TV está presente em 97% dos domicílios e a Internet em 14% dos domicílios com forte concentração nas classes A e B. Apenas 5,6% do total de domicílios no país possuem acesso a redes de banda larga, necessária para reprodução com qualidade de imagens em movimento.
[...] Além disso, qualquer pessoa pode ter acesso gratuito aos canais de TV aberta, enquanto que para uso da Internet banda larga é necessário o pagamento de assinatura.
Nas entrelinhas… Quem mandou querer se informar pela internet, fonte de informação cada vez mais usada no mundo? Tem que ver pela TV! Pelo visto, o Brasil é um dos poucos países onde é ruim ser usuário de internet e ainda ter banda larga. Quanta ousadia querer ter algo “tão avançado” no Brasil. Você é punido. Como sempre, por aqui, nivela-se por baixo.
Ponto para o YouTube e o Soapcast, que certamente terão vídeos dos jogos. E crescem em cima da falta de visão dos outros. Aliás, o Soapcast ficou bem conhecido por aqui, no Brasil, no ano passado, ao transmitir os jogos da Copa do Mundo, que também tiveram as suas transmissões proibidas na web.
Só espero que o COB não queira bloquear o YouTube quando os primeiros vídeos começarem a aparecer por lá. Aí já vai ser bananice demais.
Obrigado pelo link, Delcimar!

O Footnote é um ‘arquivo 2.0′ de diversos documentos históricos. Eles pretendem digitalizar 4 milhões de documentos do Arquivo Nacional dos EUA.
Muito parecido com o projeto da Google de digitalizar diversos livros. A diferença é a participação do usuário. No Footnote, você pode ler e adicionar documentos ao arquivo, além de fazer anotações, como em um livro de papel. No final, é possível ainda compartilhar suas anotações nos documentos com outras pessoas.
O ruim é que, logo de cara, começaram a adotar o acesso pago para ver os documentos. De graça, é possível somente fazer as buscas.
Obrigado pela dica, André!

O lançamento do iPhone e a tentativa de proibição do YouTube são símbolos de duas culturas, de dois ambientes antagônicos de negócios, de duas visões de mundo. Feliz o país cuja cultura, cujo ambiente de negócios e cuja visão de mundo produzem o iPhone e o YouTube. Pobre do país que proíbe o YouTube.
A Veja desta semana traz um especial sobre o iPhone, como destaque de capa. Coisa rara em uma revista nacional de grande circulação – uma matéria principal de tecnologia muito bem contextualizada, seguida de diversas outras sobre empreendedorismo no Vale do Silício e as novidades da CES 2007. Para ver, citam até Carl Sagan. Parabéns!
O especial completo está disponível somente para assinantes. Mas existe um grande trecho aqui.
Valeu pela dica, Diego!
Atualização às 23:00 – a Época também está com o iPhone na capa.

Ted Stevens: “Minha internet não chegou”
Beto Traballi fez uma observação nos comentários. No despacho de ‘desbloqueio’ do YouTube, o desembargador escreveu:
- Todavia, é forçoso reconhecer que não foi determinado o bloqueio do sinal do site Youtube.
Sinal do site? Será que ele acha que o YouTube é como um canal de televisão? Ou TCP/IP é um sinal de fumaça? Isso me lembrou o conhecimento sobre web do senador republicano Ted Stevens.
O político norte-americano ficou famoso, no ano passado, ao votar contra o projeto de lei que garantiria a “neutralidade da internet“. Em um pronunciamento no congresso norte-americano, mostrou que “tinha conhecimento” do que estava falando:
- A internet não é algo no qual você simplesmente despeja alguma coisa. Não é um caminhão, é uma série de tubos. Se esses tubos estão cheios, quando você insere a sua mensagem, ela entra em uma fila e pode ter sua entrega atrasada. Outro dia, uma internet foi enviada pela minha equipe às 10 da manhã de sexta-feira, e recebi somente ontem. Por quê?.
Cômico, né?

Entre mortos e feridos, mais feridos que mortos – Cicarelli, que, pelo menos formalmente, não deu entrada com o recurso [agravo] que acabou gerando o bloqueio, saiu com a imagem bem arranhada -, resta juntar os cacos e ver o que a gente pode aprender com essa história toda do bloqueio do YouTube. Acompanhe comigo.
* Primeiro, um desembargador concedeu uma liminar determinando o bloqueio total do site. Gerou repercusão em blogs e na mídia. Depois, o desembargador disse que não pediu o bloqueio total do YouTube. No papel constava outra coisa.
* O fato é que as operadoras tiveram que se desdobrar para bloquear o site, a máquina judiciária foi movimentada, anunciantes brasileiros no YouTube não viram suas peças publicadas e, possivelmente o mais importante, usuários brasileiros, consumidores, ficaram a ver navios.
* O desembargador voltou atrás e disse, em um despacho de ‘desbloqueio’ do YouTube, que foi mal interpretado. Afirmou que nunca pediu o bloqueio total do site, queria impedir o acesso somente ao vídeo. Mas, o estrago já estava feito.
* A Justiça realmente tinha por objetivo o bloqueio completo e, ao perceber o tamanho da encrenca, voltou atrás com uma justificativa pouco convincente? Ou teria sido a determinação judicial mal interpretada pelos que a cumpriram? Ou houve um lamentável erro na própria elaboração do ofício? Ou ainda, o magistrado se expressou muito mal, queria uma coisa mas acabou dizendo outra?
* O pior de toda essa confusão não foi a interpretação supostamente errada, mas o fato do juiz ter dito, no despacho do ‘desbloqueio’, que ‘o resultado foi positivo‘. O ideal teria sido revogar a liminar anterior, que afinal determinava o bloqueio do site, e, em seguida, conceder uma nova especificando-o apenas para o vídeo. E pedir desculpas à sociedade pelo transtorno ou, pelo menos, não elogiar o que ele próprio dá a entender que foi um equívoco.
* Repare no trecho do despacho – Nesse contexto, o resultado foi positivo – Ou seja, no final das contas, ele entende que tudo isso foi positivo para a imagem da Justiça brasileira.
* Acredito que, para muitos, o efeito foi exatamente o contrário. A lição que ficou é a de que a Justiça é falha nestas questões envolvendo a internet. Um precedente terrível. No final, quiseram transformar um erro em uma virtude



A interface não tem botões. É tudo no toque de tela
Após muitos, muitos rumores e hoaxes, finalmente foi revelado hoje o iPhone . Steve Jobs anunciou, durante a Macworld, o gadget, que é um smartphone e reúne em um único aparelho – celular, iPod, câmera digital [2 megapixel] e handheld.
Para o blog Between The Lines, o próprio iPod será um dos maiores perdedores com o lançamento do gadget. As vendas do iPod cairão com o iPhone. Para o Lostremote, a Apple reinventou o telefone.
Fotos: Engadget e Apple