Frase da semana

“O destino do jornalismo não está nas mãos das instituições. Está nas mãos dos empreendedores”.

Jeff Jarvis, jornalista e autor do livro O que a Google Faria?, contra a ideia de governos subsidiarem empresas de jornalismo em crise. Segundo Jarvis, o futuro estará nas mãos de pessoas que enxergarem oportunidades e não crise no momento atual.

Revista faz brainstorm no Twitter

citiesideias

Nesta semana, a edição brasileira da Revista Época passou a utilizar o Google Wave para aceitar sugestões e discutir pautas.

E a Good Magazine começou a dar um bom exemplo de como utilizar o Twitter além de uma plataforma de mídia (apenas para redirecionar tráfego ou dar visibilidade a conteúdos). Indiretamente trabalha em cima do conceito de “inteligência coletiva“.

Foi criada uma hashtag comum #cityideas. E a revista pediu aos leitores que enviassem mensagens com ideias para mudar as cidades. É uma espécie de brainstorm no Twitter.  Algumas ideias começam a aparecer. Vamos ver no que vai dar. O tema interessa a muita gente.

#cityideas Eu sou a favor de uma “virtualização” maior das empresas para reduzir o trânsito nas cidades. Geralmente, não há necessidade de ir ao escritório todo dia. Muita coisa pode ser feita à distância, reduzindo assim o tráfego de carros nas cidades.

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O que o YouTube está matando

Como clonar o Vale do Silício

“Você precisa de um monte de coisas. Você precisa de uma indústria de capital de risco, você precisa de uma cultura que seja tolerante com o fracasso, além de leis que permitiam que você falhe e não possa ser criminalizado. Você tem que, obviamente, ter uma perspectiva global.

(…) Essas coisas são todas reprodutíveis, mas não tão facilmente”.

Sem citar o incentivo à “pesquisa aplicada“, que visa resolver problemas e demandas reais do mercado, nas universidades próximas, Eric Schmidt, diretor geral da Google, explica por que o Vale Silício não é replicável em qualquer lugar.

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Como eles tiraram leite de pedra

Steve Jobs e o “culto ao empreendedor”

Steve Jobs

No momento em que surgem, aqui e ali, concursos para eleger as melhores startups e Steve Jobs (cocriador da Apple) e Mark Zuckerberg (Facebook) são indicados como os mais admirados entre o público mais jovem, é de se pensar se não estamos na época do “culto ao empreendedor“.

Não que isso seja negativo, mas a web e o barateamento das tecnologias de armazenamento e processamento de informações, claro, têm uma ponta de culpa nisso.

Nesta quinta-feira, a revista Fortune elegeu Steve Jobs como o CEO da década.

Jobs é lembrado por sua volta histórica à Apple, após ser demitido em 1985 da própria empresa que ajudou a fundar. A partir de sua volta em 1997, Jobs criou dois produtos – o iPhone e o iPod – que marcaram presença em seus mercados e fizeram o valor da Apple subir.

Em 7 anos, o valor de mercado da Apple foi de US$ 5 bilhões para US$ 170 bilhões. Até o recente burburinho sobre o transplante de fígado de Jobs fez as ações da Apple subirem.

O empresário também tem um papel importante na área de animação, com a Pixar.

É líder da lista da Fortune onde estão outros “CEOs da década” – Bill Gates, da Microsoft, Larry Page e Sergey Brin, da Google, e Alan Greenspan (economista). A lista não é bem feita, óbvio. Page, Brin e Greenspan não são CEOs. Mas a matéria da Fortune vale pela edição do material.

Foi produzida uma linha do tempo, além de uma galeria de fotos históricas da carreira de Jobs.

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O pensamento vivo da Apple

Lista de todas as revistas disponíveis no Google Books

Trip e TPM no Google Books

A Google compilou nesta quinta-feira uma lista de todas as revistas que estão no Google Books.

As revistas são disponibilizadas na íntegra, com a mesma paginação e anúncios.

Para o usuário final, o principal atrativo do buscador da Google é a facilidade de navegação.

No Brasil, somente as revistas Trip e TPM disponibilizam as suas edições antigas no Google Books.

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Fotos secretas da revista Life estão no Google

Twitter e a amizade como filtro

NYTimes no Twitter

Finalmente, o NYTimes lançou uma página oficial que agrega todos os jornalistas do jornal que utilizam o Twitter. O que vai ao encontro da estratégia da versão digital, de pensar de modo distribuído e em rede. São “vários nós do NYTimes na web”.

A Rádio Bandeirantes também agrega em uma página os perfis dos twitters da equipe da rádio.

Por sua vez, o Huffington Post começou a utilizar o recurso de listas em seu site. São montadas listas sobre um assunto específico que está acontecendo neste momento. Por exemplo, uma que agregue jornalistas e torcedores que estão falando sobre um jogo.

Na parte de TV, Peter Cashmore, editor do blog de tecnologia Mashable, em sua estréia como colunista do site da CNN, disse que está crescendo a “economia da curadoria”, em alusão ao conceito de “economia da atenção“.

Segundo ele, o Twitter possibilita que você use amigos (pessoas) como um filtro, o que também vai ao encontro da ideia de que, antes de tudo, seguimos pessoas, a web é uma rede de pessoas.

Veja também:
No futuro, seguiremos pessoas e não apenas blogs

Últimos dias de uma revista

A priori, revistas não são tão voláteis quanto blogs. Mas algumas vão e outras ficam.

A revista de gastronomia Gourmet chegou ao fim, alegando queda na receita com publicidade. A marca continuará, mas a publicação termina.

Kevin Demaria, editor de arte da revista, registrou em fotos os últimos dias da publicação, que existia desde 1941. Segue abaixo.

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via @dudex

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Tecnologias para curar a escassez de atenção na mídia impressa

Criador do termo “bridge-blogger” está preso até hoje

Hossein DerakhshanPara ajudar a explicar o que vinha fazendo desde 2001 em seu blog Editor: Myself, o iraniano Hossein Derakhshan (foto) resolveu, em 2005, criar o termo “bridge-blogger“. Refere-se a pessoas que utilizam o seu blog para fazer uma “ponte” entre duas culturas.

Por exemplo, autores de blogs que escrevem sobre a política chinesa para uma audiência americana. Neste caso, essas pessoas funcionam como “pontes”, traduzindo e contextualizando notícias e acontecimentos locais para o inglês.

Neste sentido, atuei como “bridge-blogger” durante a Pop!Tech 2007. E Derakhshan fazia uma “ponte” entre a cultura iraniana e a americana.

O iraniano também atuou como um hub para o crescimento dos blogs no Irã. Ainda em 2001, criou um guia sobre como blogar e burlar a censura no país.

Formado em Sociologia pela Universidade Nacional do Irã, logo chamou a atenção da imprensa inglesa e virou colaborador do Guardian em 2005.

É uma pessoa que tem um peso histórico para quem acompanha ou estuda blogs há algum tempo.

Derakhshan voltou a ganhar destaque, mas desta vez por que está preso há um ano no Irã. Uma vez mais, sabe-se pouco do que é acusado (atualmente, a acusação é a de ser “espião de Israel“).

Nesta terça-feira, a organização Global Voices Online, que defende a liberdade de expressão, lançou o site “Vozes Ameaçadas“, que monitora e mapeia as prisões de jornalistas e autores de blogs em todo o mundo.

Depois de China e Egito, o Irã é o terceiro na lista dos países que mais ameaçam a liberdade de expressão. E Derakhshan está ao lado de outros 22 jornalistas e autores de blogs presos no Irã.

Veja também:
Entrevista exclusiva com a blogueira Yoani Sánchez, vencedora do The BOBs 2008

Transmissões ao vivo e em 360º

Em tempos em que o vídeo online cresce duas vezes mais que a TV, sempre é bom saber a respeito das novidades sobre o futuro dos players de vídeo.

A Immersive Media, criada em 1994, está explorando uma tecnologia de transmissão ao vivo (streaming) que permite assistir aos vídeos em 360º (você pode virar a câmera). Ou seja, é algo ao contrário da tradicional “experiência estática” de assistir apenas a um plano fixo.

A ideia é utilizar a tecnologia em transmissões ao vivo de shows.

“Vídeos em 360º” já existem, mas não ao vivo.

Um dos primeiros experimentos públicos está no vídeo abaixo e foi publicado no site da Wired nesta semana. Para virar a câmera para os lados, é só clicar no vídeo, segurar e arrastar.

O vídeo abaixo é gravado, mas a intenção é trabalhar ao vivo.

Veja também:
Melhores momentos da NewTeeVee Live

O mais inovador na área de mídia

Sue Gardner

Final de ano chegando e começam a aparecer as tradicionais listas disso e daquilo.

O Huffington Post começou uma votação online para eleger o mais inovador e visionário na área de mídia. De certa forma, os 10 indicados finais refletem para onde caminha o consumo de mídia.

Jason Kilar, criador do Hulu (com certeza um dos sites que mais se destacaram neste ano), faz parte da lista. Outra presença é Sue Gardner (foto), diretora executiva da Wikimedia Foundation, organização que gerencia a Wikipedia, entre outros projetos com caráter colaborativo.

A disputa está acirrada. Tim Westergren, cocriador da rádio personalizada Pandora, também está entre os finalistas, além de Charlie Tillinghast, presidente do portal MSNBC, com a sua famosa frase.

“Hoje não há mais jornalistas de TV, mas jornalistas de vídeo”

Veja também:
Ustream serve também para ver TV

O que o YouTube está matando

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Lembro que duas coisas chamaram a minha atenção quando acessei pela primeira vez o YouTube, lá em meados de 2005. O fato dos vídeos “rodarem” no Firefox (”Finalmente um site de vídeos que abre no Firefox”, pensei na época) e a questão de poder embutir o vídeo em um post do blog.

Na época, quando noticiei no blog, defini o YouTube como “uma espécie de Flickr dos vídeos”.

A primeira característica nem tanto, mas a segunda, poder embutir os vídeos, ainda é vista como um dos principais motivos do sucesso do YouTube. A capacidade de você poder incorporar em um post um vídeo do YouTube apenas copiando e colando um código HTML (código embed).

Na época, o artifício foi visto como uma simples “firula” ou “diferencial” de um novo site de vídeos feito por nerds, mas já revelava a futura estratégia de negócios do YouTube, de criar valor em torno da circulação e não do controle de informações, o que ia contra o modelo tradicionalmente adotado pelas plataformas de mídia. O “código embed” também abriu caminho para que os vídeos do YouTube fossem inseridos em diferentes mercados culturais.

De 2005 até hoje, o YouTube cresceu e mudou. Deixou de ser ferramenta de nicho. Foi comprado pela Google em 2006 por US$ 1,65 bilhão. Ficou no meio termo entre ser amigo ou inimigo dos grandes estúdios. Virou palco da guerra dos direitos autorais, plataforma para lançamento de campanhas publicitárias virais, além de arquivo acidental cultural de uma época.

E agora faz parte da cultura popular. Não há quase como negar.

Nesses 4 anos, dois rótulos não escapam.

O primeiro deles. É um “metanegócio” (termo criado pelo tecnólogo David Weinberger), negócio que aumenta o valor da informação produzida em outro lugar. O segundo, é um exemplo de convergência entre as chamadas novas e velhas mídias. Ao mesmo tempo que abriga novos atores, dá visibilidade ao material e às referências vindas da televisão.

E é nessa convergência de mídias que surgem os conflitos em relação a direitos autorais e usos do YouTube. Um dos desafios atuais mais evidentes da YouTube Inc, empresa que gerencia o YouTube, é lidar com as demandas simultâneas dos vários públicos que utilizam o site.

Neste cenário, surgem questões. O YouTube está no mercado de plataformas de mídia ou de redes sociais? Seu papel é criar relacionamentos ou meramente ser uma plataforma de distribuição?

Em geral, ainda influenciadas pela cultura da radiodifusão, empresas tradicionais de mídia veem o YouTube mais como uma tradicional plataforma de mídia. Mais como um canal para escoarem o seu conteúdo e servir de isca para atrair público para outros lugares.

Neste sentido, se preocupam mais com o número de visualizações do que com as conversas que surgem nos comentários do YouTube.

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O mesmo acontece com o Twitter. Muitas vezes, empresas de mídia com uma abordagem mais tradicional somente se interessam pelo Twitter quando percebem que ele pode ser uma fonte de tráfego e de visibilidade para o seu conteúdo.

Preocupam-se mais em ser “retuitados” do que criar relacionamentos. O que também é válido. Mas apenas enxergar esse “caráter promocional” do YouTube e do Twitter, de dar mais visibilidade a um conteúdo, é aproveitar apenas 30% do potencial dessas ferramentas.

O livro YouTube e a Revolução Digital (240 páginas/Aleph Editora), de Jean Burgess (Universidade de Queensland) e Joshua Green (MIT), recém-lançado no Brasil, mostra que grande parte do potencial do YouTube está na capacidade de criar relacionamentos e incentivar a criatividade popular.

É o segundo livro a respeito do site de vídeos que surge de um trabalho acadêmico. O primeiro foi “A televisão será revolucionada“, de Amanda Lotz, lançado em 2007.

Além disso, YouTube e a Revolução Digital é um dos primeiros trabalhos dedicados a analisar o YouTube não como uma plataforma de distribuição, mas sim de relacionamentos. Ou seja, vê mais o seu caráter de rede social. Revela, por exemplo, que os usuários do YouTube expandem a sua interação para outros sites, como o Stickam, que permite fazer transmissões ao vivo de vídeo.

Ademais, não ficam presos a restrições tecnológicas e à arquitetura do site. Se o YouTube não tem determinado recurso, eles tratam de utilizar aplicativos e sites que complementam os recursos padrões do YouTube. Qualquer semelhança com o usuário do Twitter, que geralmente utiliza diversos aplicativos satélites criados em torno do serviço de microblogging, não é mera coincidência.

paris_hilton_01Sobre o futuro do YouTube? Segundo os pesquisadores, a sustentabilidade será um dos principais desafios do site de vídeos nos próximos anos. Da mesma forma que o Twitter,  a entrada de celebridades afetou a sustentabilidade do YouTube.

A aparição de Oprah e de Paris Hilton, que passaram a ter canais exclusivos no site de vídeos, mudou o relacionamento da comunidade de usuários com a YouTube Inc.

Afinal, a YouTube Inc trabalha para o conteúdo amador, o Broadcast Yourself, lema do site, ou para atender às exigências das “grandes emissoras de TV e dos estúdios”? Ela conseguirá manter no YouTube ao mesmo tempo as abordagens “bottom-up” e “up-bottom”?

YouTube e a Revolução Digital foi escrito em um tom de texto mais acadêmico, o que pode tornar a leitura não muito fluída para quem não está acostumado ou não gosta deste tipo de texto. E na edição brasileira, o link fornecido para conferir o “material exclusivo” em relação ao livro não funciona.

Porém, para mim, o mais interessante da leitura do livro de Burgess e Green é vê-la em um contexto maior. Neste sentido, não é um livro sobre o YouTube, a “cultura participativa” e os seus usuários, mas sobre como o nosso modo de consumir conteúdo mudou.

youtuberev_capa01Somos consumidores de mídia mais ativos. Não no sentido político ou ativista. Mas de não aceitar somente a narrativa baseada no “dito e feito”. Nisso, Burgess e Green lembram que participar do YouTube não é apenas criar conteúdo original, fazer upload de material novo, mas a atitude de colocar um vídeo nos favoritos ou assinar um determinado canal do YouTube é também um ato de participação. São formas de expressão.

Para exemplificar, é citado o caso do discurso do primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, com um pedido histórico de desculpas aos povos nativos da Austrália, feito em fevereiro de 2008.

No YouTube, ao lado do vídeo com o discurso de Rudd, há vários outros, que destacam apenas os trechos mais importantes, algumas paródias, outros que relacionam o pedido a músicas. E mais alguns em que usuários discursam em frente a webcam afirmando se são a favor ou contra o pedido.

Em suma, ao lado do vídeo do pedido de desculpas, vários “remixes” em torno do conteúdo original. No caso, assistir à transmissão do pedido foi apenas o início da experiência com o conteúdo, com a notícia. O consumo deixou de ser apenas o ponto de chegada. É o início da experiência.

Ou seja, a questão não é somente sobre contestar as antigas regras de direitos autorais, pois, a longo prazo, o que o Youtube está ajudando mesmo a matar é a narrativa baseada no “dito e feito”.

Veja também:
Linha do tempo mostra histórico dos vídeos no YouTube

Crédito das fotos:(1) WizeTux, (2) Mark Roquet, (3) reprodução, (4 e 5) divulgação

Frase da semana

“É uma adolescente agora. Ainda há um longo caminho a percorrer. Comporta-se de forma imprevisível, mas deu muitas satisfações a seus pais e comunidade”.

Leonard Kleinrock, 75 anos, professsor da Universidade da Califórnia, responsável pelo primeiro envio de mensagem entre dois computadores em rede, fala sobre os 40 anos da internet, que foram comemorados nesta semana.

Minha apresentação no MediaOn

Algumas pessoas pediram para que eu publicasse os slides da minha apresentacão no MediaOn 2009 (Seminário Internacional de Jornalismo Online), que aconteceu nesta quinta-feira, em São Paulo.

Normalmente não uso muito texto em minhas apresentações.

Essa do MediaOn até que tem bastante. Segue abaixo.

Dois livros sobre duas grandes recentes empresas

pixarlivro

O primeiro deles é A Magia da Pixar, de David Price. O livro foi lançado no começo deste ano lá fora e conta a história de criação da Pixar, responsável pelo premiado ToyStory e o recente filme/animação UP. A Pixar é mais ou menos como a Disney da geração atual (não é à toa que a Disney comprou a Pixar em 2006). Lá fora, o livro repercutiu por mostrar também os fracassos da empresa.

youtubelivro

O segundo é YouTube e a Revolução Digital, de Joshua Green e Jean Burgess, pesquisador do MIT e da Universidade de Queensland, respectivamente.

Além de contar um pouco a história da fundação do YouTube (há um capítulo escrito por Henry Jenkins), a partir da análise de mais de 4.000 vídeos do site, os pesquisadores tentam descobrir padrões de uso do YouTube. Partem da premissa de que existe uma “cultura própria” em torno do site.

Em breve, com mais calma, comento sobre as duas obras na seção de livros do blog.

Uma resposta ao Hulu

Epix

Pelo visto, o TV.com, da CBS, não decolou muito bem. E como resposta ao crescimento do Hulu, 2º site de vídeos mais acessado nos EUA, os estúdios Paramount, Lionsgate e MGM lançaram o Epix, que disponibiliza filmes completos na íntegra e em qualidade HD.

O serviço, que estava em beta até quinta-feira, é limitado a usuários residentes nos EUA, sendo que o site está totalmente aberto somente para assinantes da Verizon. Ou seja, o Epix é um complemento para quem é assinante.

De qualquer forma, é um exemplo de que os estúdios estão abraçando a distribuição digital e por osmose ou não, aprendendo que a melhor forma de combater a “pirataria” é lutar com as mesmas armas – oferecer também conteúdo. É aquela frase que sempre publico por aqui.

Quer combater a “pirataria” para valer? Deixe os processos judiciais de lado e forneça um serviço melhor que os “piratas”, invista em uma “melhor experiência para o usuário”. Muitas vezes o que as pessoas querem é facilidade.

Veja também:
Por que o Hulu já é o 2º site de vídeos mais acessado?

Site agrega conteúdo de revistas

Maggwire

Ao mesmo tempo que dispersa, a web tem ferramentas que centralizam conteúdo. Neste sentido, Jian Chai, estudante da Universidade de Michigan, criou o Maggwire, um hub de revistas, que agrega em um único ambiente o conteúdo de diversas delas.

O conteúdo de mais de 650 revistas (por enquanto, somente em inglês) é agregado e separado por temas. É mais ou menos como um Google News das revistas.

Em breve, em parceria com editoras, o site deve lançar um serviço freemium, com base em customização de conteúdo.

Veja também:
Buscadores e agregadores de notícias sob ataque (atualizado)

Mais um site de jornalismo cidadão chega ao fim

Soitu

Mais um exemplo de que inovação nem sempre gera rentabilidade. O site espanhol Soitu.es, considerado de jornalismo cidadão, fechou as portas. Mais um.

O principal investidor do projeto, o grupo BBVA, desistiu da empreitada. Pelo menos, o Soitu não virou um elefante branco antes de seu fim.

Dessa forma, vai ratificando algo que comentei. No final das contas, sobreviverão os projetos ligados a grandes empresas de mídia, como o iReport, que têm um constante e consistente respaldo jurídico e econômico por trás.

Do ponto de vista de negócios, é bem complicado o chamado “jornalismo cidadão” ter renda direta capaz de sustentar uma produção mais consistente, até por que acredito que seja algo ligado bem mais a uma economia não-monetária, em que as moedas são reputação e atenção.

Veja também:
YouTube dá aulas de jornalismo

Google e Obama (um caso de amor)

Google Obama

Na mesma semana em que o Facebook contrata um jornalista para melhorar a sua comunicação em Washington, o site da revista Fortune publicou um artigo sobre algo que já havia comentado por aqui, sobre a linha tênue entre a Google e o governo americano.

A matéria assinada pelas jornalistas Jia Lynn Yang e Nina Easton mostra que a lua de mel entre Obama e a Google é antiga. Começou em 2004, quando o político visitou o QG da Google, na Califórnia, fato que está registrado em seu próprio livro “The Audacity of Hope“.

A partir daí, foram vários capítulos. Executivos e funcionários da Google tornaram-se doadores da campanha de Obama. Doaram aproximadamente US$ 803 mil, sendo que Eric Schmidt, atual diretor geral da Google, atuou na equipe de transição do presidente americano. O capítulo mais recente foi o fato de executivos da Google serem indicados para cargos no governo Obama.

Recentemente, Andrew McLaughlin, chefe global de políticas públicas da Google, deixou a empresa para assumir o cargo de diretor do gabinete de tecnologia de Obama.

Google e Obama tem afinidades do ponto de vista de “cultura corporativa”. Mas essas afinidades podem ajudar a Google em muitos casos. Atualmente, em Washington, a empresa se prende a 4 questões – neutralidade da internet, acusações de monopólio (caso Google Books), violação de privacidade, além de conflitos de interesses (executivos da Google estão ligados à diretoria da Apple).

Do ponto de vista jurídico, a empresa estaria cada vez mais entrincheirada nestas questões.

Parece que a Google aprendeu por osmose com a Microsoft, que demorou anos para perceber a importância de ter pessoas que defendam os seus interesses em Washington. Segundo o livro de DearLove, a Microsoft somente percebeu isso após sofrer o processo por monopólio no caso do IE.

Veja também:
Dá para fuçar o DNA da Google?

Contra os sites “burros” de notícias

Nick Bilton

Infelizmente neste ano não consegui acompanhar a Pop!Tech. Acompanhei somente via streaming a apresentação de Nick Bilton, profissional que admiro bastante, pois temos uma visão em comum – os atuais sites de notícias são “burros”.

A ideia é bem simples. A maioria dos sites de notícias não sabe as nossas preferências nem o que acabamos de ler. Pior ainda, as suas plataformas não se falam.

Se eu acesso um site no celular no caminho para o trabalho e depois acesso o mesmo no desktop, no escritório, ele não sabe quais notícias já li, repete as mesmas matérias e manchetes, o que gera redundância, resultante da falta de integração e “inteligência” entre as plataformas.

Se eu estou num aeroporto, o site mobile deveria deixar em destaque notícias sobre voos e condições do tempo. Se eu estou em trânsito, o site deveria destacar mais notícias sobre tráfego e, quem sabe, ditar as notícias, já que estou com as mãos no volante e não posso ler.

Enfim, o conteúdo deveria se adaptar ao dispositivo, à ocasião e à localização do usuário. Bilton chama isso de “conteúdo inteligente“.

Eu acho que seria mais sobre “plataformas inteligentes”.

Hoje temos tecnologias de sensores, de localização. Durante a navegação, muito se recolhe a respeito de informações sobre os usuários, porém isso ainda se reflete muito pouco na experiência do usuário, do ponto de vista de exibição e mesclagem de conteúdo jornalístico.

Não sei quanto a Bilton (nunca tive a oportunidade de falar isso com ele), mas acredito que o próximo grande passo dos sites de notícias e jornais não é colocar o seu conteúdo acessível em diversas plataformas, mas seguir por esse caminho, adicionar “inteligência” a essas plataformas.

Ser multiplataforma, portanto, não seria mais novidade para os grandes sites de notícias. O próximo degrau seria ter plataformas que se falassem, que aprendessem com a nossa navegação. Em suma, “plataformas inteligentes” de jornalismo.

No final das contas, o que os sites de notícias ofereceriam não seria notícias, mas esse “conteúdo inteligente”.

Para encerrar, foi citado um caso que não conhecia. Publick Occurrences, considerado o primeiro jornal na América, vinha com a última folha em branco, para que o leitor pudesse escrever algo quando passasse o jornal para frente, para outra pessoa ler.

Ou seja, já havia um senso de conversação e “interatividade” na mídia impressa. Isso em 1690. Imagina se na época eles tivessem lido o livro do Picciarelli.

Veja também:
Uso multimídia do celular cresce no Brasil

Crédito da foto: kris krüg

Vídeos, grifes, histórico de uso e personalização na CNN repaginada

Nova home da CNN

Quando você entra num site de uma emissora de TV, é para assistir a vídeos, para rever um programa que acabou de ser exibido? Ou você gostaria de ter a possibilidade de salvar no próprio site da emissora uma matéria para arquivar ou ler depois? Se a resposta é sim, o novo site da CNN deve agradá-lo.

O novo site, que entrou no ar no sábado, antes do previsto, dá destaque especial aos vídeos da emissora, além de fornecer mais opções de personalização aos usuários.

A nova interface, que é mais próxima de um estilo de revista, tem um apelo bem mais visual. Diversas manchetes e textos presentes na home do antigo site foram reduzidos.

A interface é dividida em 3 colunas. A primeira dedicada às notícias mais quentes. A segunda, a vídeos e análises, e a terceira ao conteúdo personalizado de acordo com o usuário (é necessário “estar logado” no site da CNN para conferir o conteúdo personalizado).

Além da parceria com os sites da Oprah, do Ted Talks, da Entertainment Weekly e da revista People, na parte de conteúdo, destaque maior às grifes da emissora – Anderson Cooper e Larry King, por exemplo, comandarão um jogo de quiz online com os usuários, o CNN Challenge. A parte de opinião ganhou novos colaboradores, como Peter Cashmore, editor do blog de tecnologia Mashable.

O NewsPulse, por sua vez, é um novo produto. Um painel onde é possível filtrar e navegar pelas notícias de acordo com os critérios de mais clicadas, comentadas ou por assuntos específicos.

cnnprofile

Contudo a parte que mais chamou a minha atenção foi a de personalização, que abre as possibilidades de:

* Seguir somente certos tópicos (apenas notícias sobre “PS3″ e “Obama”)
* Informações sobre tempo de acordo com a sua localização (funciona no Brasil)
* Salvar matérias (você pode fazer um arquivo pessoal de reportagens)
* Conferir todos os comentários que você fez na CNN (o site faz um histórico dos comentários)

Vale destacar que esses recursos de personalização foram lançados primeiro no recente aplicativo para iPhone da emissora. Outro detalhe é que a parte de Specials foi reformulada. A CNN é pioneira na criação dos chamados especiais multimidia e nada melhor do que reformular essa seção.

O site de “jornalismo cidadão” da CNN, o iReport, também ganhou roupagem nova.

A última reformulação foi feita em 2007. Fez falta uma API pública no novo site.

Veja também:
Como a CNN entrou na “Era do iPhone”