Mascar chiclete e, simultaneamente, subir a escada é moleza. Mas andar e, ao mesmo tempo, enviar mensagens de texto pelo celular nem sempre é uma boa coisa a se fazer.
Segundo estudo da Universidade de Stony Brook (EUA), publicado no portal Futurity, caminhar e, ao mesmo tempo, enviar mensagens pelo celular interfere temporariamente na memória.
E mais: ao realizar as duas atividades, o que está sendo escrito no celular influencia diretamente a forma como se anda. E não o contrário, conforme o senso comum acredita – por estarmos andando, escrevemos diferente no dispositivo móvel.
A atitude de fazer as duas atividades tomou bomba neste começo de ano com o vídeo “Texting While Walking”, do NYTimes, produzido pelo cineasta novaiorquino Casey Neistat.
De acordo com o mini-documentário, andar e, ao mesmo tempo, enviar mensagens pelo celular é deselegante, principalmente nas grandes cidades com calçadas apinhadas de pessoas.
A falta de respeito vem do fato de que você desvia a atenção dos outros, que ficam preocupados em não trombar em você na calçada.
O ideal seria parar num canto da rua, e escrever e ler as mensagens. Uma coisa de cada vez.
Nem sempre ser multitarefa é cool. Às vezes, novas tecnologias exigem novas regras de etiqueta.
Ou seja, é algo vital para o funcionamento dessas publicações.
Na área de jornalismo, os CMS`s sempre foram uma questão delicada – jornalistas têm demandas diferentes daquelas do usuário comum. Por exemplo, a questão do monitoramento das modificações (atualizações) num texto é um requisito essencial.
Apesar de serem vitais, CMS`s ainda são relegados a segundo plano. É comum encontrar, em sites de notícias, sistemas que não conversam com nada, além de ultrapassados dashboards que lembram mais as interfaces das primeiras versões do processador Word.
Nos últimos anos, em sites de conteúdo, principalmente nos que lidam com notícias, os sistemas de gestão de conteúdo vem sendo repensados. Esta revisão é guiada por dois motivos, que colocam em constante desafio a área de TI de diversas publicações:
1) Há uma expectativa que esse tipo de ferramenta seja cada vez mais integrada a outras tecnologias, como as móveis, e a diferentes plataformas, como Facebook, Twitter e YouTube (é meio obsoleto estar na rua e não poder atualizar um site direto do celular).
2) Semelhante a outras áreas, as empresas de jornalismo vêm sendo afetadas pelo processo de consumerização. Ou seja, há a crescente expectativa de que o sistema de publicação de um jornal seja tão “simples e amigável” quanto o Tumblr ou Twitter – ferramentas que utilizamos diariamente em nossa vida pessoal.
Recentemente, o NYTimes encontrou uma solução para o seu CMS. Lançou um código em javascript que permite controlar e registrar as modificações feitas em uma matéria (geralmente, em publicações, os textos passam por diversas mãos e revisões antes de serem postados).
O código está disponível no GitHub e pode ser usado junto ao WordPress.
Parece ser uma atitude simples e insignificante, no entanto é um exemplo de que algumas empresas podem encontrar soluções internas para problemas que são comuns a todo o setor.
Contudo, o mais relevante está em mostrar que os CMS`s requerem constante desenvolvimento. Não podem mais ser soluções fechadas, com começo, meio e fim. Devem sempre ser repensados, adquirindo novos recursos e integrações com outras tecnologias de publicação.
Afinal de contas, a área de mídia, a cada dia, está passando por uma transformação. E os sistemas de gestão de conteúdo devem acompanhar tal constância de modificações.
Uma mensagem postada no Tumblr é republicada em média nove vezes. De cada 10 usuários do Tumblr, 9 são “curadores” – republicam o conteúdo de outros sites ou usuários.
Os números foram apresentados por David Karp, fundador da ferramenta, durante a DLD Conference, que acontece em Munique, na Alemanha.
Em sua apresentação, Karp ressaltou a capacidade do Tumblr de viralizar um conteúdo. Segundo ele, o serviço, que hoje conta com 42 milhões de blogs cadastrados, somente decolou quando, entre os usuários, os curadores de conteúdo se tornaram mais numerosos.
A postura de Karp é justificada. O fundador do Tumblr estava falando para a plateia da DLD Conference. Ademais, a empresa tem planos de gerar receita com publicidade. Nada mais natural, portanto, do que ressaltar a capacidade de amplificação da ferramenta.
Porém, simbolicamente, a importância do Tumblr está em mostrar que curadoria e produção de conteúdo andam juntas. No Tumblr, facilmente, você republica o conteúdo de outro usuário, assim como produz material próprio (aliás, grande parte da interação do tumblr vem do ato de “reblogar” uma mensagem. Você acompanha o que os outros estão publicando e responde a um conteúdo não por meio de comentários, mas republicando-o).
No mesmo dashboard, você pode produzir, republicar e consumir informação. É uma das poucas ferramentas digitais de publicação de conteúdo que, desde o início, foi arquitetada para que você seja, ao mesmo tempo, produtor e curador de conteúdo.
Não é à toa, portanto, que o Tumblr é considerado uma das ferramentas que melhor se adapta aos recentes hábitos de consumo de informação, pois, para as novas gerações, não há muita diferença entre a atividade de produzir e fazer curadoria de conteúdo. Uma não exclui a outra.
Em meio à discussão sobre a SOPA, uma notícia expressiva passou meio despercebida na semana passada – a entrada mais efetiva da Apple na área educacional.
Educação sempre esteve em seu DNA, mas, desta vez, a empresa cofundada por Steve Jobs avançou alguns degraus ao lançar ferramentas para a venda e a criação de livros didáticos/aplicativos para o iPad.
Livros didáticos que, diga-se de passagem, são mais interativos e multimídia que os atuais de papel.
A curto prazo, o lançamento faz parte da estratégia da Apple na área educacional, que foi reformulada há 6 anos, fazendo dobrar a participação da empresa no setor. O foco deixou de ser somente o usuário final para serem os professores, diretores de escolas e políticos.
Também numa perspectiva menor, o lançamento faz parte da tática da Apple de adicionar mais valor ao iPad, justificando desse modo o seu preço frente a concorrentes como o Kindle Fire.
Contudo, numa perspectiva maior, o lançamento da Apple é reflexo de um processo de consumerização da área de educação. A tendência é que, cada vez mais, você use na escola ou faculdade os mesmos dispositivos que normalmente utiliza em casa, na vida pessoal.
Ou seja, na escola, os alunos têm a expectativa de utilizar os mesmos aplicativos e dispositivos que eles estão acostumados a usar em casa.
A consumerização é geralmente associada à área corporativa, porém, segundo relatório da Trend Micro, nos EUA e Japão, o setor de educação lidera o processo (80%), seguido do de saúde (69%).
Existem diversos entraves, mas, potencialmente, a entrada mais efetiva da Apple acelerará ainda mais o inevitável processo de consumerização na educação.
Esqueça o Facebook e o Twitter. Micah Sifry, do conceituado TechPresident, é taxativo – neste ano as eleições americanas serão sobre Big Data.
Se, em 2008, na eleição da qual Obama saiu vitorioso, os chamados “analistas de mídias sociais” tinham espaço central, em 2012 os cientistas de dados estarão à frente das estratégias das campanhas para presidente.
Segundo relatório da McKinsey & Company, com cada vez mais operações comerciais sendo mediadas pela internet, a quantidade de dados no mundo tem crescido a uma taxa nunca vista.
Em cada setor da economia existe uma base de dados pronta para ser utilizada, oportunidade para os estrategistas das campanhas e as próprias publicações que cobrirão a corrida presidencial.
Na realidade, a campanha de reeleição de Obama já deu o pontapé para essa tendência. Longe dos holofotes, há uma equipe do candidato democrata dedicada dia e noite a realizar a mineração de milhares de dados gerados em atividades online e offline.
Em 2012, Sifry acredita que quem tiver acesso a maior e melhor base de dados sairá com vantagem na disputa presidencial americana.
Ou seja, a luta por quem tem a melhor presença no Facebook dará lugar à disputa para quem tem acesso a maior quantidade de dados e melhor analisá-los.
Se a teoria de Sifry estiver correta, Obama sai na frente (por incrível que pareça). O presidente e candidato já tem uma base de dados estruturada em sua última eleição, além disso, o aplicativo Obama 2012, lançado em 2011, já estaria recolhendo uma expressiva quantidade de dados a respeito de seus possíveis eleitores.
O Yahoo anunciou o lançamento do The Signal, blog exclusivamente dedicado a cobrir as eleições a partir de bases de dados. Diferente de seus concorrentes, o Yahoo tem acesso a uma quantidade de informações maior – cruza base de buscas com tweets e pesquisas online.
Será que, da mesma forma que buscaram fazer com a Obamania, nas eleições brasileiras deste ano haverá a tentativa de emular este ambiente de mídia inovador e recheado de dados dos EUA? É esperar para ver.
Começo e final de ano é comum se deparar com diversos balanços sobre quais tecnologias morreram comercialmente ou se mostraram menos necessárias nos últimos 365 dias.
Sempre tenho um pé atrás com esse tipo de análise.
É o típico diagnóstico que rende muitos cliques, mas pouco informa. Não informa por que ele passa por cima de dois processos importantes para entender o sucesso e a evolução de uma tecnologia.
O primeiro é o de “especiação de tecnologias“. Semelhante ao desenvolvimento biológico – em que uma espécie sofre um rápido crescimento e desenvolve novas características no momento em que é transplantada para um novo ambiente -, uma tecnologia quando retirada de seu domínio inicial de aplicação e colocada em outro, pode adquirir novas características, e até impensadas.
A tecnologia de “realidade aumentada” parece ser desnecessária e comercialmente morta na área de marketing? De repente, quando transplantada para a de medicina, ela adquira novas características e a perceptibilidade da tecnologia venha ser diferente.
O exemplo mais conhecido desse processo de “especiação de tecnologias” é a própria internet. A internet é resultado de uma evolução gradual. Seu desenvolvimento derivou do estado de conhecimentos anteriores. Revolucionário e radical mesmo foi o processo de retirá-la de seu campo de aplicação inicial.
Graças a Tim Berners-Lee, Marc Andreesen, Jeff Bezos e outros pioneiros da web, ela saiu do meio militar e acadêmico e foi para a esfera civil e comercial.
Se a internet tivesse ficado exclusivamente no ambiente acadêmico e militar, os seus efeitos, as suas características e perceptibilidade seriam bem diferentes das que conhecemos hoje em dia.
Outro exemplo. A tecnologia de segunda tela surgiu na área dos games eletrônicos, nos anos 90, com o console Dreamcast. Não fez sucesso. Foi considerado um conceito inexpressivo. Voltou com tudo em 2011 na junção entre tablets e aparelhos e TV. Adquiriu novas características. E, em 2012, talvez retorne outra vez à esfera inicial, na área de games, com o lançamento do Wii U, o vídeo-game de duas telas da Nintendo.
O segundo processo é bem atual. Nós o conhecemos muito bem, pois envolve países emergentes, como o Brasil.
É comum lermos e ouvirmos sobre “inovação reversa” – inovação que surge primeiro nos países emergentes e que depois é exportada para os países desenvolvidos. Contudo, existe uma dinâmica de igual importância – tecnologias que são consideradas “imaturas” ou “de adoção lenta” no topo da pirâmide estão alcançando fácil e rápida aplicação em sua base, nas nações emergentes.
Devido à cultura oral e ao analfabetismo, tecnologias de identificação por biometria e de interfaces controladas por voz, por exemplo, estão encontrando terreno fértil nos países emergentes. Bolívia, México e Índia estão à frente da adoção rápida destes tipos de tecnologia.
Quer um exemplo histórico? O celular. É o que melhor mostra que algumas tecnologias do topo da pirâmide podem ter uma rápida adoção nos países emergentes.
Diferente dos países desenvolvidos – onde a tecnologia móvel era vista bem no início como desnecessária – nos países emergentes, ela teve uma rápida adoção. Em algumas regiões, foi a tecnologia mais rapidamente adotada, superando a eletricidade.
O principal motivador dessa veloz aceitação foi o fato de que, nos emergentes, utilizar celulares não era opção, mas obrigação. Diversas regiões eram consideradas “media dark”. Ou seja, não tinham qualquer acesso a sinais de TV, telefone ou rádio. Adotava-se a tecnologia móvel ou ficaria sem qualquer tipo de comunicação.
O mesmo aconteceu com a tecnologia de internet sem fio. Migrar para a tecnologia sem fio foi fácil para quem nunca teve qualquer tipo de conexão, como as áreas rurais da Índia e China.
Nos países desenvolvidos, onde havia uma tradição e onipresença de linhas fixas a adoção foi bem mais lenta. A priori, a tecnologia sem fio era vista como desnecessária, não-urgente, e havia um certo “custo de troca” em adotá-la.
Todo cuidado é pouco quando deparamos com a análise de uma tecnologia. De repente, fora de seu campo inicial de aplicação, uma tecnologia pode adquirir novas características e se tornar radical e revolucionária. Nos emergentes, ela pode ter uma adoção meteórica.
Nenhuma tecnologia é inexpressiva ou está morta até que realmente se prove o contrário.
“A aula de informática é chata. Eu vou para a escola e o professor me ensina como usar o Word e o Excel… eu sempre quis criar meu próprio jogo, eu gostaria de aprender isso na escola. Eu iria fazer um muito bom e compartilharia com todos os meus amigos”.
É esse tipo de depoimento, registrado em escolas do Reino Unido, que motivou o guru dos games Ian Livingstone, fundador da Eidos, a criar a Next Gen, campanha que pretende passar um corretivo no currículo das escolas britânicas ao promover o ensino de Tecnologia da Informação.
O movimento pela TI nas salas de aulas tem o apoio de Google, Microsoft e outras empresas de tecnologia. No comecinho deste ano, ganhou um aliado importante – o Guardian, primeiro jornal no mundo a tratar internamente a área de TI como estratégica e não apenas operacional.
No site do Guardian, cidadãos, professores, alunos e até o ministro da Educação discutem a questão. O debate parece começar bem. A área de TI não é associada apenas a matemática e física, mas também a comunicação, história e artes.
Uma das discussões é sobre a ideia de Ciência da Computação ser uma matéria separada ou estar inserida como pano de fundo em todo o currículo escolar. Caso a segunda opção prevaleça, não será nenhuma surpresa em uma aula de história, por exemplo, a professora discorrer sobre história da tecnologia: quem é Martin Cooper e sua importância para a sociedade?
Além de criar uma mão de obra mais qualificada, a expectativa é que o bê-á-bá com TI aumente, a longo prazo, o número de mulheres na área de tecnologia e diminua o “analfabetismo digital” entre os ingleses. Em suas casas, estudantes acabariam replicando para seus pais e avós o que aprenderam na escola.
Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, anunciou a inauguração, em setembro, da Software Engineering Academy, escola técnica de Ciência da Computação. A instituição terá como mentor o investidor Fred Wilson.
A justificativa de NY é que falta mão de obra qualificada para trabalhar nas startups que estão sendo criadas em torno da cidade. A cara estrutura de ensino de NY não estaria conseguindo responder ao recente boom de empresas locais de tecnologia.
A intenção é a mesma do Reino Unido – ensinar desde cedo noções de programação e negócios em torno de tecnologia.
Segundo Martin Paul Eve, pesquisador da Universidade de Sussex, é um atestado de burrice não ensinar às crianças como funcionam os milhares de softwares que estão no nosso dia a dia.
Numa época em que estamos cada vez mais acostumados a receber ferramentas prontas para uso – por meio de aplicativos fechados em smartphones e tablets – Paul Eve faz o contraponto.
Segundo ele, devemos ensinar os estudantes a criarem os seus próprios programas e algoritmos. Ou seja, não devemos somente dar o peixe, mas sim ensinar a criançada a pescar. Quem fizer isso merece 10.
Essa pergunta foi em parte respondida com a notícia de que o Facebook fechou uma parceria com o site Politico. Por meio do acordo, o site americano de notícias sobre política terá acesso automático a diversos dados de mensagens públicas e privadas publicadas no Facebook.
O Politico utilizará a base de dados da plataforma de rede social para realizar reportagens e análises durante as eleições americanas.
Uma das primeiras matérias feitas a partir dos dados foi publicada. Revela que Mitt Romney e Ron Paul, pré-candidatos à presidência dos EUA, andam bem na fita entre eleitores republicanos que estão no Facebook.
A pergunta que fica é se o Facebook fechará acordos com outras empresas para fornecer acesso deste tipo à sua base de dados.
O fato do Facebook ser tratado como uma empresa de dados não é nenhuma novidade. Para empresas e anunciantes, o apelo da plataforma de rede social está em justamente fornecer acesso a uma base de dados exclusiva e segmentada.
No ano passado, a plataforma de rede social adquiriu uma série de startups que tinham como competência central a coleta, mineração e visualização de dados.
Caso valide de vez essa posição, o Facebook será tratado como uma empresa de dados, mas que se apresenta ao mercado como plataforma de rede social (mais ou menos, como a Casas Bahia. É uma financiadora, mas se apresenta ao mercado como uma loja de móveis e eletrodomésticos).
Com essa posição, o Facebook encontrará dois desafios. O primeiro deles será o de enfrentar as organizações de defesa da privacidade, que já estão chiando para a parceria com o site Politico (apesar dos dados serem utilizados de forma anônima).
O segundo é assegurar a qualidade desses dados. Quem garante que as diversas mensagens publicadas sobre um candidato não foram geradas por um robô ou uma pessoa paga para colocá-las no Facebook? É fácil publicar informações não verdadeiras em plataformas de redes sociais. Vide nas últimas eleições brasileiras, em que as plataformas foram utilizadas, em sua maioria, para polarizar ainda mais as discussões políticas.