Pessoas estão fugindo da caixa de comentários

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Em tempos em que um público mais “hard user de internet” utiliza cada vez mais o Twitter para fazer comentários sobre um acontecimento, achei bem emblemática a decisão da Google de retirar a possibilidade de fazer comentários no conteúdo do Google News. Segundo a empresa de busca, o motivo era que as pessoas pouco usavam o recurso.

Para mim, vale fazer duas observações neste caso. Primeira, a Google impôs muitas restrições para quem queria comentar. Segunda, existem outras formas de comentar um artigo. Não é por que uma matéria não tem comentários que não quer dizer que as pessoas não a estejam comentando.

Acontece que uma parte do público pode preferir fazer isso em outro ambiente, no Twitter, no Orkut, no Facebook ou em seu próprio blog. Pelo menos, a primeira opção é a que vejo mais comum entre usuários com mais tempo de web.

De olho nesse comportamento, a revista Business Week começou neste ano um projeto/experimento de integrar comentários feitos no Twitter ao seu site.

O WordPress já tem um plugin, o Tweetbacks. Ele traz os comentários a respeito de um post seu feitos no Twitter para a caixa de comentários de seu blog. Não funciona muito bem, não indexa bem, mas é uma tentativa de centralizar/agregar esses comentários.

Crédito da foto: Duncan

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A queda do poder da home

Spam do Michael Jackson

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Morte de Michael Jackson. O que vem chamando a atenção de especialistas nem é o número de capas e reportagens dedicadas ao artista, algo mais do que esperado, mas a quantidade de vírus, hoax, spam e phishing scam que vem sendo produzido em torno da morte do astro.

Lembra o pós-11 de setembro na web. Ainda não existem números oficiais, mas segundo mostra a BBC, o mesmo vem acontecendo com a morte de Michael Jackson em proporção maior, já que desta vez o Twitter vem sendo utilizado para propagar os falsos links.

Segundo registra a Websense, uma parte desses emails e falsas notícias está em português.

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Está na capa (morte de Michael Jackson)

Google é mais confiável que “mídias tradicionais”

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O estudo é das universidades de Manchester e Leeds e foi publicado em parceria com o Instituto de Jornalismo da Reuters, uma das mais tradicionais agências de notícias. Quando as pessoas estão em dúvida sobre um acontecimento ou buscam uma análise, o Google é a fonte mais confiável.

Apesar de aparecerem links para sites consagrados de notícias nos primeiros resultados das pesquisas, a percepção do público é de que esse método de buscar no Google é mais confiável, tem mais credibilidade. Existe uma percepção de que o conteúdo que é publicado na internet é produzido “por gente como a gente” e um caminho para ter acesso a “fontes independentes de informação”.

Segundo a pesquisa, a chamada “grande mídia” é vista como falha na hora de proporcionar profundidade e explicar um acontecimento ao público. No final, gera mais confusão do que conhecimento.

Achei a pesquisa um pouco simples e deixa muitas questões em aberto, mas ratifica bem que o Google vem sendo utilizado como um grande oráculo, mesmo quando se trata de buscar por notícias e análises. Não é somente para responder a perguntas banais, do tipo “como dar nó em gravata”.

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Histórias escondidas nas buscas

Caneta elétrica e televisão 3D

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O Dead Media Archive é um projeto de registro de produtos/tecnologias de comunicação que foram abandonados. É produzido pelo Departamento de Mídia da Universidade de Nova York.

Cita o protótipo de uma televisão 3D nos anos 80. O PicturePhone, que seria uma espécie de telefone com vídeo, predecessor da vídeo-conferência. E a Eletric Pen, uma caneta elétrica.

Existe um blog que faz um projeto parecido de arqueologia de tecnologias, o Paleo Future.

Dica da Luisa nos comentários

Pirate Bay segue o caminho do Napster

Semelhante ao Napster, que completou 10 anos recentemente, o Pirate Bay, site que era visto como símbolo da bandeira por “downloads livres”, foi comprado pela Global Gaming Factory X, empresa de softwares e redes de cibercafés. Os fundadores do Pirate Bay concordaram com a aquisição.

Segundo o anúncio oficial da compra, o site tentará encontrar um modelo para oferecer downloads de forma legal, com compensação para os produtores de conteúdo. A previsão é que o negócio se conclua em agosto. O site será comprado por US$ 7,7 milhões (mais ou menos 13 milhões de reais).

Para quem acompanha a área de música não é nenhuma novidade, mais um serviço que começou de forma ilegal, oferecendo downloads à vontade, e depois por alguma pressão jurídica ou até de gastos com infra-estrutura foi obrigado a “legalizar” as suas operações.

Foi assim com o Napster, o Kazaa e até com o YouTube, após ser comprado pela Google em 2006.

O que vinha chamando a atenção era o anúncio recente da criação de um site de vídeos ligado ao Pirate Bay, que se chamaria Video Bay. O site em si hospedaria os vídeos, semelhante ao YouTube, o que faria cair por água abaixo o argumento de defesa do Pirate Bay, de que eles não podem ser processados, pois não hospedam, apenas redirecionam links para conteúdo protegido por direitos autorais. Pelo menos, por enquanto, faz mais sentido a criação desse site de vídeos.

Os detalhes da aquisição ainda não estão muito claros. Mas bem provável que a Global Gaming Factory use o Pirate Bay como hub para a sua rede de games em cibercafés, considerada uma das maiores no mundo.

Para alguns, a pergunta que fica é: como será esse modelo de negócios do “novo Pirate Bay” que vai tentar agradar, ao mesmo tempo, usuários, gravadoras e estúdios, caminho que, há algum tempo, vem sendo trilhado pelo Spotify e o Hulu? Ou ainda – quem será o próximo Pirate Bay?

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Volatilidade e cortes na MySpace

YouTube dá aulas de jornalismo

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Simplesmente fornecer espaço para a audiência enviar conteúdo e participar da produção de conteúdo de nada adianta muito. É necessário melhorar a qualidade dessa participação.

Neste sentido, o YouTube lançou um canal (YouTube Reporters’ Center), que agrega vídeos nos quais jornalistas de renome dão dicas de como aproveitar melhor as mídias digitais e apurar informações.

Katie Couric, da rede de TV CBS, dá dicas de como conduzir uma boa entrevista; Nicholas Kristof, colunista do NYTimes, fala como se portar em coberturas de conflitos e a Arianna Huffington, fundadora do agregador de notícias e opinião The Huffington Post, comenta sobre jornalismo.

As dicas servem para qualquer pessoa, profissional ou não, que trabalha com a produção de conteúdo.

Veja também:
Como cobrar por conteúdo na web

O lado B da internet

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Aquele pensamento inquestionável de que a internet e as mídias digitais, por si só, são ferramentas democratizantes está cada vez mais caduco.

Durante o Seminário sobre Liberdade de Expressão e Democracia promovido pela Revista Imprensa, em maio, em São Paulo, comentei que quem pesquisa ou acompanha essa área precisa ter em mente que essas ferramentas são neutras. Tanto podem ser usadas para restringir como para incentivar a liberdade de expressão.

Citei o caso recente da Moldávia, onde forças locais de segurança foram acusadas de criar falsos perfis no Twitter com informações inverídicas para gerar um ambiente de instabilidade e desinformação não somente interno como internacional.

Neste final de semana, no caderno Aliás, do Estadão, saiu um artigo interessante, traduzido do Washington Post, que toca um pouco nesse assunto, do lado B da internet, sobre o quanto regimes autoritários começam a aprender a usar essas mídias em seu favor.

Hoje soube da existência do site Gerdab, onde autoridades iranianas ou simpatizantes do governo de Mahmoud Ahmadinejad postam fotos dos recentes protestos nas ruas do Irã. O site pede que os usuários ajudem a identificar as pessoas que estão nas fotos para depois facilitar a sua entrega às autoridades de repressão. É o crowdsourcing a favor do governo nada democrático de Ahmadinejad.

Crédito da foto: Conson

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Bush vai deixar saudades

Frase da semana

“Empresas continuam a construir seus negócios em torno do conceito da internet como fonte dominante de informação, mas se esquecem dos problemas de infra-estrutura que continuarão a piorar com o aumento do tráfego e da nossa demanda por informações em tempo real”.

Tom Krazit, jornalista do portal de tecnologia Cnet, comenta a avalanche inédita de informações que, nesta semana, derrubou diversos sites com a notícia da morte de Michael Jackson.

O interesse na morte do cantor já é considerado um dos eventos que gerou mais tráfego na internet e revela muito sobre como as pessoas se informam e se relacionam com as tecnologias da informação hoje em dia.

E a revista Slate se destaca no tributo

Diversos sites, blogs, portais, revistas estão fazendo tributos ao Michael Jackson, mas acredito que um dos melhores é o que a Slate fez.

Uma idéia simples, compilou todos aqueles vídeos do YouTube em que pessoas tentam imitar o famoso passo de dança “Moonwalk”, inventado pelo artista e que virou ícone dos anos 80.

A revista publicou o vídeo em seu próprio perfil no YouTube. Segundo a publicação, é o legado que o cantor deixa no site de vídeos. Segue abaixo. (Dica da @anacarmen)

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TMZ se destaca mais uma vez na cobertura

TMZ se destaca mais uma vez na cobertura

Apenas algumas linhas de texto no blog TMZ, indicando que Michael Jackson tinha sido levado às pressas para o hospital e a sua posterior morte, foram suficientes para mobilizar a imprensa e deixar as redes sociais cheias de mensagens. O blog foi o primeiro a noticiar a morte de Michael Jackson. A fonte? Ou as fontes que passaram a informação?

O jornalista Harvey Levin (foto abaixo), editor do blog, não revela, mas diz que nesta quinta-feira ele e pelo menos cada integrante de sua equipe fizeram e receberam 100 ligações de telefone. “Não teríamos publicado isso se não fosse verdade”, disse em entrevista ao Los Angeles Times.

A cobertura sobre a morte de Michael Jackson está sendo vista como um momento de ruptura para o TMZ, assim como em 1991 a cobertura in loco da Guerra do Golfo, no Iraque, fez a CNN ficar em outro patamar de relevância para o público e a concorrência.

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O TMZ surgiu em 2005. O nome vem de “Thirty mile zone”, região onde estão os principais estúdios de Hollywood. É um projeto resultante da junção da America Online com a Time Warner, mesma empresa que controla a emissora CNN.

Quem o coordena é Levin, experiente jornalista e produtor de televisão, que trabalhou durante muito tempo na cobertura do mundo das celebridades em Los Angeles, cidade onde o TMZ é bem influente. Muito do sucesso do TMZ é atribuído ao próprio profissionalismo de Levin. Ele é o que tem a melhor rede de fontes, que está presente em bares badalados, restaurantes, delegacias e hospitais.

O blog se destaca não apenas em ter boas fontes, mas por conseguir sustentar um asssunto por bastante tempo. Tem o costume de fazer várias “suítes” a um mesmo assunto, em questão de minutos mobiliza uma rede de colaboradores que trabalha, de forma móvel, com laptops e celulares nas ruas. Ou seja, o TMZ trabalha em rede com colaboradores.

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Outra marca é trabalhar muito com livestreaming, transmissão ao vivo de vídeo pela internet. Talvez reflexo da experiência de Levin como repórter de TV. Mais recentemente, o TMZ se destacou na cobertura da morte de outra celebridade, o ator Heath Ledger.

A morte de Michael Jackson dobrou a frequência de atualizações de mensagens do Twitter e triplicou a da rede social Facebook. Para ter uma noção melhor, 15% de todas as mensagens no serviço de microblog era sobre o artista (dificilmente um assunto chega a 5% de todas as mensagens), segundo registra o NYTimes.

O site do Los Angeles Times, principal jornal da cidade, saiu do ar por alguns minutos. Teve em uma hora mais de 2 milhões de pageviews. E o programa de troca de mensagens da AOL também ficou indisponível por alguns instantes. Não foi nenhum 11 de setembro, mas deu para perceber que muitos sites de notícias ainda não aguentam muito bem o aumento repentino da audiência. O próprio blog TMZ enfrentou dificuldades para continuar no ar.

Veja também:
Está na capa (morte de Michael Jackson)

Está na capa (morte de Michael Jackson)

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Guia polêmico de conduta na web

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Desta vez foi a agência de notícias Associated Press (AP) que distribuiu aos seus funcionários um guia interno de conduta sobre como utilizar as chamadas “mídias sociais” – blogs, microblogs, plataformas de redes sociais.

É um dos primeiros guias que admite que esses sites são importantes ferramentas de apuração e contato com a audiência e fontes das matérias. Mas, por outro lado, ele exige que todos os funcionários deletem de seus perfis na Facebook material que infringe os padrões da Associated Press. Isso inclui até mensagens que um amigo enviou a você por meio da rede social.

Percebe-se que é mais uma decisão tomada de cima para baixo. Tanto que vai haver uma reunião com os funcionários da AP para ver como vai ficar essa questão. Ou seja, primeiro toma-se a decisão (de cima para baixo) e depois é que vai conversar com as pessoas que serão mais afetadas pelas regras. Reflexo de como a gestão interna dessas empresas ainda é fechada.

Antes, outros veículos já tinham divulgado guias de condutas sobre a utilização dessas ferramentas:

1) O Wall Street Journal que praticamente restringe o uso de qualquer desses sites para fins jornalísticos.
2) A Bloomberg que não permite que os seus funcionários façam links para conteúdo externo nos blogs, menos ainda no Twitter e na rede Facebook.

Engraçado que, em sua maioria, essas regras internas, esses guias de condutas internos, nunca são feitos para potencializar ou incentivar a utilização dessas ferramentas, fazer com que a empresa, os jornalistas se beneficiem desses serviços. São sempre para controlar ou restringir o uso.

O MediaShift publicou um texto bem completo (em inglês) sobre o assunto. Há desde redações que restringem o uso pleno desses sites, outras que não limitam simplesmente por não saberem que eles existem, até algumas que fazem treinamento sobre como utilizá-los de forma mais produtiva.

Veja também:
Como engessar o blog de um jornalista

Posterous: simples e em movimento

posterouslogoApesar de algumas startups estarem num ritmo mais lento, o Posterous está em movimento, entrou num cronograma de lançar novos recursos quase toda semana.

Nesta quarta-feira anunciou a aquisição da Slinkset, ferramenta que permite construir sites no estilo Digg (onde as pessoas podem votar em qual conteúdo deve ficar em destaque) e que será integrada ao Posterous como nova funcionalidade.

Semana passada, o Posterous anunciou a possibilidade de poder importar o conteúdo de um blog que esteja em outro serviço – WordPress, Tumblr, Blogger, além de poder fazer comentários utilizando o mesmo login da Facebook ou do Twitter.

Para quem não conhece, o Posterous é um novo sistema de publicação de conteúdo para blogs que se caracteriza por trabalhar com o conceito minimalista. Tudo é bem simples, reduzido e sem excesso de funções. Voltado para quem é usuário iniciante de internet ou quer ter um “blog casual”.

Há algum tempo, fiz alguns testes com o Posterous.

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Sem sentimento de culpa por não ter lido todos os feeds

Busca por jornalista no Google News

Busca por autor

Google News, buscador e agregador de notícias, lançou em sua versão em inglês um recurso que permite buscar apenas pelo nome do jornalista, pela pessoa que produz a matéria. O foco é um pouco diferente. Normalmente, a busca é feita por temas, editorias, títulos ou jornais.

Uma mudança pequena, mas que promete agradar aos que defendem que as “marcas individuais jornalísticas” caminham para ser mais fortes que as “marcas das empresas jornalísticas”.

Veja também:
Buscadores e agregadores de notícias sob ataque (atualizado)

Dança das cadeiras

Em tempos em que a MySpace fecha escritórios e a Yahoo! anuncia férias coletivas, o usuário L McDuff, do YouTube, postou mais uma de suas paródias. Desta vez, mostra a constante migração de funcionários entre as principais empresas de internet. Vídeo acima.

Veja também:
Seja um Mestre da internet!

Volatilidade e cortes na MySpace

MySpace

Os rumores começaram há quase duas semanas no Guardian e no Techcrunch. E nesta segunda-feira foram confirmados. A MySpace anunciou o encerramento de suas operações em diversos países. O escritório da Myspace Brasil encerrará as suas atividades na próxima semana.

Na terça-feira passada, a empresa anunciou o corte de 30% dos funcionários nos EUA. E em abril, os fundadores da MySpace abandonaram o comando da empresa. Vale lembrar que o que fecha no Brasil é a operação comercial, tecnicamente a rede social continua funcionando normalmente.

Durante o período de quase dois anos no Brasil, a MySpace alcançou o posto de 3ª rede social com mais usuários e ajudou a potencializar a carreira de diversos artistas, entre eles, a Mallu Magalhães.

Acredito que a lição mais imediata que podemos tirar disso é a volatilidade desse mercado de plataformas de redes sociais/sites voltados para música. Algo que já havia comentado no post sobre a “reestruturação” de outra rede social de música, a Last.fm, que também ficará sem os seus fundadores no comando.

Crédito da foto: BLMurch

Veja também:
A “biografia não-autorizada” da Facebook

Backup de toda a sua vida online

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Há algum tempo comentei por aqui sobre Lifestreaming, conceito de juntar tudo o que você produz e/ou publica online em um único lugar – posts em blogs, fotos no Flickr, mensagens do Twitter.

Existe em quantidade e qualidade variada serviços que permitem que você faça isso. O Tumblr e o FriendFeed são os mais populares.

A novidade é que surgiu uma ferramenta, a Lifestream backup, que promete fazer um backup (cópia de segurança) de tudo o que você produz na web – desde documentos do Google Docs até lista de sites salvos no delicious. Para fazer isso, cobra uma taxa de US$ 27 por ano (mais ou menos  R$ 52) e pede o cadastro de todos logins e senhas dos serviços que você utiliza e quer fazer backup.

É bem útil, previne qualquer perda caso alguma conta sua em algum serviço online seja apagada de uma hora para outra (já soube de várias pessoas que tiveram as suas contas do Flickr e do Twitter deletadas sem nenhum motivo aparente).

Ter um backup não é uma má ideia. Mas a grande questão é: dá para confiar em deixar todos os seus dados com um único serviço? Eu não confio nem em usar todos esses sites que surgem em torno do Twitter, imagine deixar todos os logins e as senhas das minhas contas com um único site.

Veja também:
Uma linha do tempo com tudo o que você produz na rede

Nossas pegadas valem ouro

Numerati adora números

As empresas de telefonia sabem onde estamos, à medida que navegamos na internet deixamos pegadas que dizem muito sobre nós, quando usamos o cartão de crédito nem se fala. Dessa forma Stephen Baker mostra em seu livro Numerati (256 páginas) o quanto a cada dia, sem perceber, alimentamos uma verdadeira mina de ouro de dados pessoais, onde em torno cresce uma lucrativa indústria que trabalha com os rastros que deixamos todo dia em vários lugares.

Lançado no Brasil neste ano pela editora ARX, Numerati revela o quanto esses nossos dados estão à mostra, prontos para serem utilizados e analisados por especialistas e empresas para prever o que queremos, em quem queremos votar ou até com quem queremos namorar.

Numerati, portanto, faz parte de uma série de livros que está saindo no mercado brasileiro sobre o tema. Click, de Bill Tancer, foi o primeiro, lançado mais no começo deste ano. Numerati é o mais recente.

Baker é um pouco mais crítico em relação ao assunto. Tancer é mais profundo no tema. Mas ambos convergem em um ponto. Por parte das empresas, a grande questão, hoje em dia, não é coletar esses dados sobre a gente, mas o que fazer com eles. Como utilizá-los de forma estratégica para a tomada de decisões. Os Numerati são os profissionais responsáveis por essa atividade, de transformar dados dispersos em conhecimento.

Stephen Baker

Quem são eles? Segundo Baker (foto acima), “são uma elite global de cientistas da computação e matemáticos que analisam todos os nossos movimentos. Eles vasculham montanhas de dados à procura dos nossos padrões de comportamento”. Onde estão? “Nas principais empresas de tecnologia – Google e IBM” para citar duas, atesta o jornalista. O que faz com que o livro de Baker sirva para alimentar as mais variadas “teorias da conspiração” da Era Google.

Para situar melhor o conceito por trás do livro, é importante mencionar que ele surgiu inspirado em um projeto piloto da IBM de monitorar as atividades de 300 mil funcionários e a partir dos dados sobre os seus movimentos criar um modelo matemático de cada funcionário, que serviria para a empresa escolher quais devem ser promovidos, remanejados ou até demitidos. Todos esse dados seriam recolhidos por meio de tecnologias de monitoramento que ajudariam a definir de forma minuciosa o nível de habilidade e produtividade de cada funcionário. Modelagem pura.

Piso inteligente

A parte do livro que mais prende a atenção é quando Baker discorre sobre o uso dessas tecnologias de monitoramento, de recolhimento de dados, na saúde pública. Cita um interessantíssimo projeto de um “piso inteligente” que registra a temperatura e o padrão de caminhada de uma pessoa.

Ou seja, literalmente, serve para monitorar os passos de qualquer um. Pode ser instalado em casas, lojas e hospitais. Ao ser utilizado ao lado de camas de pessoas idosas ou doentes, qualquer queda no chão seria logo detectada e um alerta enviado.

Baker segue no assunto e segura um pouco mais a atenção ao mostrar o que pode ser feito com a polêmica, mas nada fantasiosa, questão do uso de sensores eletrônicos, chips implantados em nossos corpos que poderiam monitorar a nossa temperatura, batidas do coração, respiração.

Com a ajuda dos Numerati esses sensores poderiam fornecer todos os dados vitais para prever enfermidades das mais simples, uma gripe, até mais complexas, um câncer. Ajudariam-nos a prevenir e a combater qualquer doença ao menor sintoma inicial. Qualquer coisa fora do normal seria avisada. O uso desses sensores poderia tornar-se até uma questão de saúde pública. O que faz Baker tomar a liberdade de deixar a pergunta no ar – e aquele que não aceitar ser monitorado, usar esses sensores, será considerado negligente?

Numerati

Do início ao fim, Numerati faz um registro de como vem acontecendo na prática essa modelagem matemática da humanidade. Das várias tentativas, bem sucedidas e mal sucedidas, de transformar os dados sobre nossos comportamentos em conhecimento, em informação estratégica. Isso em várias áreas – política, medicina, relacionamento e até segurança nacional (no combate ao “terrorismo”).

Apesar dessa divisão lógica de temas, a leitura pode ser decepcionante. No final das contas, Numerati é apenas uma versão maior de uma matéria de capa escrita por Baker para a Business Week. Matéria que ficou famosa na época. Em 2006.

Ademais, tudo é tratado de forma superficial. Por ser superficial, Baker é repetitivo em muitos momentos. É uma boa leitura, mas para quem quiser saber bem por cima como a matemática está se juntando a outras áreas e o quanto e como os dados coletados sobre a gente vêm sendo utilizados por pesquisadores, digo, pelos Numerati.

Crédito da imagem: One Good Bumble

Veja também:
O pensamento vivo da Apple

Frase da semana

“Internet é tão vital quanto água e gás”

Em artigo publicado no Times, o primeiro ministro britânico Gordon Brown defende que o acesso pleno à internet seja tratado como algo tão importante quanto serviços públicos como água e gás.

Meu texto no blog do concurso da CNN

Concurso CNN de Jornalismo

Alguns devem lembrar, neste ano faço parte do júri de seleção do Concurso de Jornalismo da CNN no Brasil. A organização pediu que eu escrevesse um post sobre o tema do concurso, que é sobre “o uso da tecnologia no desenvolvimento social”.

O texto está lá no blog do concurso, que tem outras dicas. Confere lá. É bem simples, mais como ponto de partida no assunto. Tecnologias, jornalismo e humanismo devem andar juntos